domingo, outubro 18, 2026

Déficit hídrico na cana-de-açúcar supera 1.000 mm nesta safra

Produtividade tem queda de 7,4% no acumulado até agosto frente ao mesmo período de 2023/2024

A safra 2024/25 vem sendo marcada por um cenário climático desafiador. No acumulado até agosto/24 foram registrados mais de 1.000 mm de déficit hídrico, prejudicando a produtividade dos canaviais da região Centro-Sul.

Os dados são do Boletim De Olho Na Safra, divulgado hoje pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O indicador de produtividade (toneladas de cana por hectare), acumulado de abril a agosto, registra em média quebra de 7,4% em relação ao mesmo período da safra anterior, caindo de 93,3 (2023/2024) para 86,4 (2024/2025) no Centro-Sul.

Em agosto último, a produtividade média da cana na região Centro-Sul caiu 13,7% frente a igual mês da safra anterior – de 91,2 toneladas por hectare para 78,7 toneladas por hectare.

Outro fator que impactou a produtividade foi o maior estágio médio de corte, demonstrando uma proporção de colheita de canaviais mais envelhecidos e, portanto, menos produtivos.

Já a qualidade da matéria-prima (ATR) se encontra no mesmo patamar da safra 2023/24 considerando os dados acumulados até agosto.

Outro parâmetro de qualidade analisado pelo CTC na safra 2024/25, é a pureza do caldo, que caiu dois pontos percentuais em relação a 2023/24, devido a presença de uma maior concentração de açúcares redutores, reflexo, entre outros fatores, do déficit hídrico.

Cabe destacar o impacto das queimadas nos canaviais em agosto. Levantamento realizado pela equipe CTC Geo, a partir do CanaSat e imagens de satélite da segunda quinzena de agosto, indica que cerca de 400 mil hectares de cana foram atingidos pelas queimadas no Centro-Sul, com maior impacto nas regiões de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e São Carlos.

Os prejuízos causados ainda estão sendo estimados de forma qualitativa. Áreas que já haviam sido colhidas precisarão de novos investimentos em tratos culturais (NPK e herbicidas), ou mesmo roçagem esperando melhor rebrota. Áreas imaturas ou próximas do ponto de colheita estão sendo colhidas às pressas, visando minimizar o impacto na produção e na qualidade.

Essas entre outras medidas prejudicam a sistematização das colheitas das safras atual e futura. (Divulgação)

Foto: José Fernando Ogura/AEN

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