quinta-feira, março 5, 2026

La Niña: o que esperar em 2025?

Fenômeno climático deve persistir no mundo até abril deste ano

O planeta já está sob o efeito do fenômeno climático La Niña, conforme anunciado pela NOAA (sigla em inglês – National Oceanic and Atmospheric Administration) em janeiro deste ano. Mas, como este fenômeno impacta o Brasil?

A meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Danielle Ferreira, explica que, em anos do La Niña, observa-se a redução das chuvas na Região Sul do Brasil, tanto na quantidade, quanto na frequência, havendo possibilidade de alguns períodos longos sem precipitações.

No entanto, não é somente no Sul brasileiro que o La Niña tem forte impacto. Todo esse movimento que caracteriza o fenômeno nasce no Oceano Pacífico Equatorial e reverbera, de formas distintas, em diversas outras regiões.

Na faixa norte das regiões Norte e Nordeste do Brasil ocorre o inverso: o excesso de chuva, o que vem acontecendo atualmente em grande parte dessas áreas, com constantes avisos laranja de perigo para chuvas intensas.

“As frentes frias passam mais rapidamente sobre a parte leste da Região Sul e acabam levando mais chuvas para a Região Sudeste, podendo chegar até parte do litoral nordestino. Esse comportamento típico nem sempre ocorre, pois é necessário considerar também outros fatores como a temperatura do Oceano Atlântico (Tropical e Sudeste da América do Sul), que também pode atenuar ou intensificar os impactos do fenômeno”, afirma a meteorologista.

O aquecimento do Atlântico Tropical, por exemplo, favorece a ocorrência de chuvas no Norte do Brasil, devido ao deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mais para o sul de sua posição climatológica.

Importância do oceano

Tanto o La Niña quanto o El Niño se formam no Oceano Pacífico Equatorial, o que reforça a tese de que os oceanos exercem uma grande influência sobre o clima em diversas partes do planeta.

Danielle explica a diferença entre estes dois fenômenos climáticos: o El Niño é o aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial, enquanto o La Niña, caracteriza-se pelo resfriamento anômalo das águas dessas águas. “Por isso a importância do monitoramento de suas condições”, ressalta.

Desta forma, vem se observando na chamada Região do Niño 3.4 (área entre 170°W e 120°W), temperaturas da superfície do mar (TSM) com valor de 0,5°C abaixo da média desde outubro/2024 e em dezembro/2024, chegou ao patamar de 1,0°C abaixo da média, indicando a presença de águas mais frias que o normal.

A persistência dessas anomalias (diferença entre o valor observado e a média) por três meses consecutivos, caracteriza o fenômeno La Niña. A previsão é de que o fenômeno persista durante o trimestre fevereiro-março-abril de 2025, com 59% de probabilidade.

Para os próximos meses, são esperadas temperaturas acima da média em grande parte do território brasileiro e chuvas mais concentradas nas Regiões Norte, Centro-Oeste e áreas do norte e oeste da Região Nordeste, no primeiro trimestre de 2025. (Inmet)

Foto: Divulgação

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