quinta-feira, abril 23, 2026

Preços do arroz seguem em queda, e produtores enfrentam margens apertadas

Os preços do arroz em casca seguem em trajetória de queda no mercado brasileiro, conforme indicam os levantamentos mais recentes do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O cereal não encontrou o parâmetro de sustentação esperado por agentes do setor nas últimas semanas, e o mercado segue pressionado por uma combinação de fatores.

Segundo o Cepea, a atual dinâmica de preços é resultado de uma verdadeira “queda de braço” entre vendedores, que buscam cotações mais elevadas, e compradores, que resistem às negociações diante da ampla oferta disponível. Além disso, o recuo na taxa de câmbio diminui a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional, pressionando ainda mais as paridades de exportação e importação.

Outro fator que limita as vendas são os embarques em ritmo abaixo do esperado, o que amplia a oferta interna e reforça o cenário de baixa liquidez no mercado. De acordo com pesquisadores do Cepea, essas condições reduzem significativamente as margens dos produtores, que veem sua rentabilidade comprometida nesta temporada.

O cenário atual também pode afetar a atratividade da cultura para o próximo ciclo produtivo, já que muitos agricultores tendem a avaliar o custo-benefício antes de definir as áreas destinadas ao arroz.

Recentemente, o mercado passou por mais um fator de pressão: o anúncio da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) sobre a possibilidade de adquirir novos lotes do cereal para recompor os estoques públicos. A medida, segundo o Cepea, gera expectativas de preços mais atrativos no médio prazo, sobretudo por meio de contratos futuros.

Em paralelo a essas movimentações de mercado, o Brasil mantém sua posição de destaque na produção mundial de arroz. De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a safra brasileira 2023/24 contabiliza cerca de 10,4 milhões de toneladas, com produção concentrada principalmente na Região Sul, que responde por mais de 70% do total colhido.

O Rio Grande do Sul permanece como o maior produtor nacional, seguido por Santa Catarina e Paraná. Ainda segundo o Mapa, o país é autossuficiente na produção do cereal, mas o excesso de oferta neste momento, aliado às incertezas econômicas, gera desafios adicionais para os produtores.

Enquanto isso, o setor segue atento às definições do governo quanto às compras públicas e aos desdobramentos do mercado internacional, que podem influenciar o comportamento dos preços nos próximos meses. (com Cepea)

Foto: Mapa

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