quarta-feira, outubro 21, 2026

Geada Negra completa 50 anos

Diferente da geada comum, que forma uma camada de cristais de gelo visível sobre as plantas, a geada negra ocorre sob condições de frio intenso e ar extremamente seco

Há exatos 50 anos, em 18 de julho de 1975, o Paraná enfrentava um dos episódios mais trágicos da sua história agrícola: a geada negra. O fenômeno, silencioso e devastador, transformou para sempre a paisagem rural do estado e a vida de milhares de produtores. Naquele amanhecer gelado, o café, que até então era a principal cultura paranaense, foi dizimado em questão de horas.

Diferente da geada comum, que forma uma camada de cristais de gelo visível sobre as plantas, a geada negra ocorre sob condições de frio intenso e ar extremamente seco. Nesse ambiente, os tecidos vegetais são queimados internamente, sem deixar marcas externas aparentes. O resultado é a necrose das plantas, que escurecem e morrem rapidamente, como se tivessem sido queimadas pelo fogo.

Em 1975, estima-se que mais de 400 mil hectares de cafezais foram destruídos em várias regiões do Paraná, especialmente no norte do estado. Muitas famílias perderam suas fontes de renda e tiveram que abandonar a atividade. Algumas migraram para outras culturas, como soja e milho, enquanto outras deixaram o campo definitivamente e migraram para grandes centros em busca de emprego.

A geada negra de 1975 é considerada um divisor de águas na agricultura paranaense. Ela forçou uma reestruturação produtiva e acelerou a mecanização das lavouras. Também despertou a necessidade de políticas públicas voltadas ao seguro agrícola e ao apoio em situações de calamidade climática.

Mesmo meio século depois, o impacto daquela madrugada ainda é lembrado por quem viveu o drama de ver lavouras inteiras desaparecerem de um dia para o outro. Técnicos e pesquisadores tratam o episódio como um alerta permanente sobre os riscos climáticos que ameaçam a produção de alimentos no Brasil.

A data de 18 de julho tornou-se um marco para o setor agrícola. Em 2025, além de lembrar os prejuízos daquele ano, a ocasião serve para refletir sobre os avanços tecnológicos, o papel da ciência no monitoramento climático e a importância da preparação do campo diante de eventos extremos. A geada negra de 1975 continua viva na memória rural como uma ferida aberta — e como um aprendizado que jamais deve ser esquecido.

Foto: Paraná Histórica /Acervo Gazeta do Povo

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