quinta-feira, março 5, 2026

O impacto do aumento dos juros nos contratos de crédito rural

O Brasil teve um novo recorde na produção de grãos nesta safra (2024/2025): vários fatores (clima favorável, maior investimento em insumos e tecnologia, ampliação da área plantada) contribuíram para que a produção chegasse a quase 340 milhões de toneladas, o que equivale a um aumento de cerca de 14% em relação à safra anterior, conforme estimativa da CONAB.

Esses dados reiteram a posição de destaque do Brasil entre os principais produtores e exportadores globais de commodities agrícolas, consolidando o agronegócio como um dos maiores alicerces da economia nacional.

Todavia, nem tudo é bonança: o aumento nas taxas de juros tornou os financiamentos substancialmente mais caos, ou seja, o aumento da Taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia – que é a taxa básica de juros da economia brasileira) exerce impacto direto e significativo sobre os contratos de crédito rural, afetando tanto os produtores quanto instituições financeiras e políticas públicas ligadas ao setor agropecuário. Mas, sem dúvida, quem mais sofre nessa situação é o produto rural.   

A elevação da taxa Selic, instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação e manter a estabilidade macroeconômica, repercute de forma incisiva no mercado de crédito, especialmente no segmento rural, cuja dinâmica depende, em larga medida, do acesso a financiamentos para custeio, investimento e comercialização da produção.

No âmbito dos contratos de crédito rural com taxas de juros livres, isto é, aqueles não subsidiados ou contratados fora das linhas oficiais do Plano Safra, a Selic funciona como referencial para a formação das taxas praticadas pelas instituições financeiras. Quando a taxa básica se eleva, o custo de captação dos bancos também aumenta, o que é inevitavelmente repassado aos tomadores de crédito sob a forma de juros mais onerosos. Isso reduz a atratividade e a viabilidade desses contratos, especialmente para pequenos e médios produtores com menor capacidade de negociação.

Já nos contratos vinculados ao crédito rural oficial, notadamente os financiamentos amparados por recursos controlados — como o crédito com recursos obrigatórios, da poupança rural, ou de fundos constitucionais — o impacto do aumento da Selic é mais indireto, mas não menos relevante. Embora essas linhas possuam taxas de juros prefixadas ou subvencionadas pelo Tesouro Nacional, a elevação da Selic encarece o custo da política pública. O governo, diante de um ambiente de juros elevados, passa a ter maior dificuldade em sustentar subsídios vultosos, o que pode levar à redução do volume de crédito subvencionado, à revisão das taxas favorecidas ou à imposição de critérios mais rigorosos para concessão de crédito.

Do ponto de vista macroeconômico, um ciclo de alta da Selic tende a produzir retração no volume de crédito ofertado, aumento da seletividade bancária e desaquecimento da demanda por financiamentos, afetando a formação de capital no setor agropecuário e limitando investimentos em tecnologia, infraestrutura e expansão produtiva.

Por fim, é importante salientar que o encarecimento do crédito rural, decorrente do aumento da Selic, ocorre em um contexto em que o produtor já está exposto a riscos climáticos, volatilidade cambial e flutuações nos preços internacionais das commodities.

Tal conjuntura complicada exige políticas públicas bem calibradas, instrumentos de mitigação de riscos e mecanismos de crédito mais sofisticados, para que o setor rural continue a cumprir seu papel estratégico na segurança alimentar e na geração de divisas para o país. E exige também que cada produtor rural esteja bem assessorado por um especialista em crédito rural para promover a orientação no momento da tomada do crédito, de modo que o agricultor tenha amparo diante de contratos com cláusulas abusivas ou onerosas em demasia.

Lybor Landgraf: referência nacional

A Lybor Landgraf é uma banca de advocacia (www.lybor.com.br) especializada em dívidas rurais, dívidas industriais, dívidas com bancos em geral, e dívidas contra empresas que atuam como “bancos” ou “agiotas”, oferecendo crédito aos produtores rurais. A Lybor Landgraf é reconhecida nacionalmente por sua excelência, tendo sido premiada pelo Senado Federal e pelo setor sucroalcooleiro como o melhor escritório de advocacia em sua área de atuação.

A Dra. Kellen Bombonato é a diretora jurídica geral da banca. Já o Dr. Osmar de Vasconcellos, advogado e diretor superintendente, é o responsável por recepcionar novos clientes, avaliar os casos e encaminhá-los à diretora jurídica. Contato: drosmar@lybor.com.br | +55 (44) 3027-4500.

Receba as informações do site diáriamente.

Mais do Canal do Agro

Governo regulamenta regras de salvaguardas em acordos comerciais

Medida protege indústria brasileira em caso de excesso de...

Senado aprova acordo entre Mercosul e União Europeia

Texto ratificado pelos parlamentares conclui tramitação no Congresso O Senado...

IAT aplicou quase R$ 170 mil em multas durante a piracema no PR

O Instituto Água e Terra (IAT) divulgou nesta quarta-feira...

Arroz tem leve alta em fevereiro com oferta restrita

O mercado de arroz em casca no Rio Grande...

Café arábica recua em fevereiro, mas segue em nível elevado

O preço médio do café arábica encerrou fevereiro no...

PF prende Daniel Vorcaro em 3ª fase da Operação Compliance Zero

A terceira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada...

Simental Brasileiro: genética adaptada à realidade do campo

Originária de uma das linhagens europeias mais difundidas no...