quinta-feira, março 5, 2026

Greening já afeta quase metade dos pomares de laranja

O dado reforça o alerta sobre a saúde dos pomares, mas também indica a importância da adoção de manejos integrados e tecnologias sustentáveis

O greening (HLB – Huanglongbing), considerada a mais grave doença da citricultura, alcançou 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, segundo levantamento do Fundecitrus divulgado recentemente.

O dado reforça o alerta sobre a saúde dos pomares, mas também indica a importância da adoção de manejos integrados e tecnologias sustentáveis. No Brasil, maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, o impacto do greening vai além do campo, influenciando diretamente a competitividade global e a segurança da cadeia de alimentos e bebidas.

A experiência dos Estados Unidos serve de alerta: na Flórida, o avanço do greening levou ao colapso da citricultura, reduzindo a produção para menos de 12 milhões de caixas na safra 2024/25, de acordo com estimativas do U.S. Department of Agriculture (USDA). No Brasil, em contrapartida, a Fundecitrus projeta mais de 300 milhões de caixas. Esse contraste evidencia a urgência de ações no país, onde a disseminação do HLB pressiona produtores e indústria a investir em monitoramento contínuo, no controle do psilídeo-dos-citros e em soluções que aliem produtividade e sustentabilidade.

A gravidade da doença tem impulsionado a migração de pomares para novas fronteiras agrícolas, como Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Distrito Federal, formando o chamado Cinturão Citrícola Expandido. Embora essa estratégia ajude a reduzir a pressão da praga, especialistas ressaltam que a mudança de local não elimina a necessidade de controle constante. “Mudar de região não substitui o manejo integrado do HLB. É preciso vigilância contínua para garantir sustentabilidade do setor”, reforça Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB.

Entre as tecnologias utilizadas, os óleos essenciais têm se mostrado aliados no combate ao psilídeo-dos-citros. Ensaios de campo realizados pela Farm Atac comprovaram que, quando associados a defensivos tradicionais, elevam o controle de ninfas de 24,4% para até 90,8%. Além de atuarem sobre o vetor, essas soluções fortalecem a fisiologia das plantas, melhoram a tolerância a estresses climáticos e reduzem perdas por fatores como calor e chuvas intensas. Por serem de base vegetal e biodegradáveis, atendem ainda às exigências de mercados rigorosos e consumidores mais conscientes.

A citricultura brasileira, responsável por mais de 70% das exportações globais de suco de laranja, vive um ponto decisivo: precisa garantir oferta e qualidade diante da maior ameaça fitossanitária da sua história. A combinação de inovação tecnológica, práticas regenerativas e ação coordenada entre produtores, governo e indústria será fundamental para evitar que o país siga o mesmo caminho da Flórida. (Divulgação)

Foto: prefeitura de Capão

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