sexta-feira, março 6, 2026

CNA elabora documento sobre o agro do Brasil para a COP 30

Objetivo é apresentar o posicionamento do setor agropecuário na Conferência sobre as Mudanças Climáticas, que ocorrerá de 10 a 21 de novembro, em Belém

O documento “Agropecuária Brasileira na COP 30”, elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e ratificado pelas federações estaduais, apresenta ao mundo os compromissos e resultados alcançados pelo setor agropecuário brasileiro no campo da sustentabilidade. A publicação destaca práticas consolidadas como o plantio direto, a integração lavoura-pecuária-floresta, a recuperação de áreas degradadas e o uso de bioinsumos, mostrando que o Brasil possui uma das agriculturas mais eficientes e ambientalmente responsáveis do planeta.
Além de dar transparência às ações, o documento funciona como instrumento estratégico de posicionamento internacional, reforçando que o setor rural é parte da solução para o enfrentamento das mudanças climáticas. Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, é vital desconstruir o mito de que a agropecuária brasileira é rudimentar, enquanto é uma das mais tecnológicas do mundo.
“É essencial mostrar ao Brasil e ao mundo como o setor agropecuário é parte vital na construção das soluções para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Cada vez mais tecnológico e sustentável, o agro tem sido um dos principais pilares da economia nacional e da preservação ambiental, por entender que a qualidade do solo e dos recursos hídricos, que irá impactar na produção, depende desse cuidado”, frisou Meirelles.

FINANCIAMENTO

Investimentos de larga escala serão necessários para viabilizar a transição para uma economia de baixo carbono e a adaptação dos sistemas produtivos. Neste contexto, o financiamento climático destinado aos países em desenvolvimento, cuja importância é reforçada no Acordo de Paris, se apresenta como condição fundamental para fortalecer a resiliência climática e possibilitar as ações de mitigação e adaptação. A CNA defende maior acesso dos produtores rurais a recursos internacionais, com linhas simplificadas e justas. Além disso, propõe que os fundos considerem a realidade dos países em desenvolvimento, garantindo previsibilidade e condições adequadas para a transição sustentável no agro.
Outro ponto central do documento é a ênfase na produção com baixa emissão de carbono, alinhada às metas de descarbonização global. A Confederação destaca que o agro brasileiro já contribui de forma efetiva para a redução de emissões, seja pela adoção de tecnologias inovadoras, seja pelo papel das florestas nativas preservadas em propriedades rurais — responsáveis por sequestrar grandes quantidades de carbono. Ao demonstrar os avanços em métricas concretas, a agropecuária nacional reforça sua legitimidade para acessar mercados internacionais cada vez mais exigentes em termos de sustentabilidade e rastreabilidade.

DESCONSTRUÇÃO DE NARRATIVAS

Nesse contexto, como frisou o presidente da Faesp, ganha relevância a desconstrução de narrativas negativas que, muitas vezes, associam o agro brasileiro ao desmatamento ilegal e à degradação ambiental. O documento da CNA apresenta dados que evidenciam o oposto: o produtor rural brasileiro preserva cerca de 33% do território nacional em áreas de vegetação nativa dentro das propriedades, o que representa um diferencial único no cenário mundial. Essa informação é fundamental para reposicionar a imagem do Brasil nos fóruns internacionais, garantindo que políticas ambientais não sejam usadas como barreiras comerciais disfarçadas contra a produção nacional.
O documento reforça a importância da articulação internacional do agro brasileiro em eventos como a COP 30, que será realizada em Belém. Ao unir evidências técnicas, experiências práticas e políticas públicas já implementadas, o setor demonstra sua capacidade de dialogar com a sociedade e com os mercados externos de forma transparente e propositiva. A desconstrução de narrativas, portanto, não é apenas uma defesa, mas uma estratégia ativa para consolidar o protagonismo do Brasil na agenda global de sustentabilidade, mostrando que o futuro da agropecuária pode ser, ao mesmo tempo, produtivo, inclusivo e ambientalmente responsável. (Divulgação)

Foto: Mapa

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