sexta-feira, março 6, 2026

Valorização da arroba impulsiona investimentos em recuperação de pastagens

Com o melhor momento do mercado em anos, a pecuária brasileira ganha fôlego para modernizar o sistema de criação e expandir a produtividade com sustentabilidade

A pecuária de corte brasileira vive, em 2025, um dos momentos mais favoráveis dos últimos anos, com demanda doméstica aquecida e exportações recordes. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), somente no mês de outubro os embarques de carne bovina do Brasil totalizaram 357 mil toneladas, o maior volume mensal desde o início da série histórica. No acumulado de janeiro a outubro, foram 2,79 milhões de toneladas e US$ 14,31 bilhões em valor.

Com a valorização da arroba, acima dos R$ 300 nas principais praças de negociação do país, o produtor tem a oportunidade de ampliar seus investimentos estruturais, sendo as pastagens um dos alvos centrais desses aportes. “Com margens mais confortáveis, cresce o interesse por recuperar ou renovar áreas degradadas, estruturar o sistema produtivo e adotar tecnologias sustentáveis e de maior retorno. Para os pecuaristas, o cenário representa oportunidade para acelerar planos de investimento”, diz Thiago Feitosa, engenheiro agrônomo da Sementes Oeste Paulista (SOESP).

Segundo o especialista, essa valorização da arroba melhora os coeficientes de retorno e reduz o risco, fatores que motivam a recuperação de pastagens, a reforma de áreas degradadas e a adoção de sistemas mais intensificados. “Com margens melhores, muitos produtores aproveitam o momento para recuperar áreas, reformar estruturas e intensificar a produção. Além disso, a valorização da arroba traz mais confiança para investir, pois o retorno tende a ser mais rápido”, reforça o engenheiro agrônomo.

Dados técnicos reforçam o desafio e a oportunidade. Estudos da Embrapa indicam que o Brasil tem cerca de 28 milhões de hectares de pastagens degradadas, áreas que apresentam elevado grau de limitação produtiva e que podem se tornar foco de recuperação. Em regiões mais críticas, pastagens degradadas rendem apenas até 150 kg de peso vivo por hectare/ano, enquanto, com manejo adequado, esse número pode dobrar ou até triplicar.

A decisão entre recuperar ou reformular a pastagem deve levar em conta a presença de banco de forragem (touceiras/m²), o percentual de solo descoberto, a infestação de plantas daninhas e o grau de compactação. “Quanto mais avançado o grau de degradação, maiores os custos, o que torna a janela de investimento especialmente relevante em momentos de arroba valorizada”, destaca o especialista.

Sustentabilidade como diferencial competitivo

Além dos ganhos econômicos diretos, mais arrobas por hectare, menor custo de suplementação e ciclo de terminação reduzido, a recuperação das pastagens está fortemente conectada à agenda de sustentabilidade. Sistemas integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), são apontados como caminhos para maximizar a produtividade, melhorar a estrutura do solo e reduzir a emissão de gases de efeito estufa por unidade produzida.

A adesão a esse tipo de sistema tende a ganhar força em um contexto de boas margens. “Como estamos no início do período chuvoso para a maioria das regiões do Brasil, ainda não é possível ter uma percepção totalmente clara sobre isso. Mas a perspectiva é positiva, haja vista que temos cerca de 60% da área de pastagem em algum grau de degradação”, observa Feitosa.

As políticas públicas também atuam no incentivo. Programas como o Plano ABC+ priorizam a recuperação de pastagens degradadas, oferecendo linhas de crédito e financiamento com custo favorável para produtores que adotam boas práticas de manejo e sistemas integrados.

Novas tecnologias e estratégia de investimento

Com o ambiente favorável em relação aos preços, o pecuarista que antecipa a reforma de pastagens está melhor posicionado. Algumas práticas recomendadas incluem:

  • Correção química (calagem e gessagem) e adubação mineral para restabelecer a fertilidade;
  • Controle de plantas daninhas e restabelecimento da cobertura forrageira;
  • Subsolagem ou descompactação quando for identificado solo compactado;
  • Implantação de sistemas de ILP ou ILPF para diversificar e aumentar o retorno da área;
  • Monitoramento contínuo de desempenho via ganho de peso animal, produtividade da pastagem e custo por arroba produzida.

As projeções das consultorias apontam para preços firmes da arroba no curto e médio prazo, com viés altista. Diante desse cenário, o momento se mostra propício para investimentos em pastagens, que podem gerar efeitos multiplicadores no resultado da fazenda, tanto no aspecto econômico quanto no perfil sustentável da produção.

A engenheira agrônoma e doutora em Zootecnia Érica Franconere, responsável pela área de marketing e planejamento da SOESP, reforça que o pasto é o alimento mais barato para o gado, tanto que 80% do rebanho brasileiro é terminado a pasto. “Portanto, investir em pastagens é estar preparado para aproveitar boas oportunidades com eficiência, sustentabilidade e resultado no bolso do produtor”, conclui. (Assessoria de Imprensa)

Foto: divulgação Soesp

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