quinta-feira, abril 23, 2026

Pesquisadores criam higienizantes naturais para a produção de leite

Confira na reportagem especial produzida pela jornalista Adriana Cardoso, da Universidade Estadual de Maringá (UEM) com imagens de Heitor Marcom

Pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) desenvolveram desinfetantes e higienizantes naturais para o processo de ordenha de vacas, capazes de reduzir contaminações sem deixar resíduos no leite e sem favorecer resistência bacteriana. As soluções elevam a qualidade e a segurança da produção, beneficiando produtores, indústria e consumidores.

O trabalho é coordenado pela professora Magali Soares dos Santos Pozza, do Departamento de Zootecnia (DZO/UEM), especialista em qualidade microbiológica de alimentos de origem animal. Há 25 anos, ela estuda os efeitos do leite e seus derivados na saúde humana e afirma que muitos mitos circulam sobre o alimento, especialmente relacionados à gordura.

“A gordura do leite hoje em dia não é mais a vilã. A membrana que envolve o glóbulo de gordura tem funções importantes, como o efeito prebiótico, que serve de nutriente para as bactérias benéficas do intestino”, explica Magali. Ela reforça que o leite é altamente nutritivo: “É uma gordura boa, rica em aminoácidos essenciais, cálcio, vitaminas e sais minerais, contribuindo para dentes, ossos, funções cognitivas, hidratação e saciedade, ajudando a controlar o peso”.

A pesquisadora cita também que estudos relacionam compostos presentes em ruminantes ao efeito protetor contra doenças. O ácido linoléico conjugado, encontrado somente em produtos de ruminantes, por exemplo, é conhecido pela prevenção de câncer de mama e de útero.

Consumo diário

Guia Alimentar do Ministério da Saúde recomenda consumir três porções de leite ou derivados por dia. Cada porção equivale a 200 a 300 mililitros, o que corresponde a um copo de leite, um pote de iogurte ou duas fatias de queijo.

Somadas as três porções, são cerca de um litro por dia, que fornece 35 gramas de proteína — mais da metade da quantidade indicada, por exemplo, para uma pessoa de 70 quilos sedentária. Alérgicos devem evitar produtos com leite.

A nutricionista Angela Buzzo alerta que os lácteos, embora relevantes na alimentação, devem integrar uma dieta equilibrada, e não serem utilizados como única fonte de nutrientes. “O leite é muito versátil e indicado, mas precisa estar inserido em uma alimentação balanceada. Ele pode se tornar inflamatório se combinado com uma dieta pobre em fibras e rica em ultraprocessados.”.

Ela destaca a importância de uma dieta rica em vegetais para preservar a integridade intestinal: “O consumo de leite deve vir acompanhado de frutas, verduras, legumes e fibras. Assim, aproveitamos seus benefícios (ele é nutritivo, proteico e fonte de cálcio) sem prejudicar a saúde intestinal”, finaliza.

Processos térmicos e qualidade

O leite comercializado no Brasil pode ser UHT (o “leite de caixinha”), pasteurizado (vendido em saquinhos) ou cru. Enquanto os dois primeiros passam por tratamentos térmicos que preservam a qualidade e reduzem micro-organismos, o leite cru não recebe aquecimento e apresenta maior risco de contaminação.

Além disso, o leite que passa apenas por fervura doméstica “sofre muito mais perdas de vitaminas, porque o aquecimento demora. Na indústria, é tudo muito rápido: aquece e resfria rapidamente, e a embalagem ainda protege da foto-oxidação”, relata a professora Magali Pozza.

Para Magali, todas as categorias podem ser seguras, desde que tenham boa procedência. Sem higiene adequada na ordenha e no manejo, o leite pode conter resíduos de antibióticos e bactérias causadoras de doenças como listeriose, brucelose e tuberculose, além de problemas gastrointestinais comuns.

Higienização natural 

Com foco na segurança alimentar, o Grupo de Estudos em Qualidade de Alimentos desenvolve produtos naturais para a limpeza de tetos de vacas, tubulações, tanques de expansão e outros equipamentos usados na produção leiteira. Esses higienizantes passam primeiro por testes laboratoriais e, depois, por experimentos com o rebanho da Fazenda Experimental de Iguatemi (FEI/UEM).

Os produtos evitam resíduos no leite e ajudam a controlar bactérias resistentes, inclusive aquelas capazes de sobreviver à pasteurização. A pesquisa também conta com parcerias com pequenos produtores e laticínios da região, ampliando o impacto na cadeia produtiva.

Além dos higienizantes, o grupo atua no aprimoramento de derivados lácteos, como queijos e iogurtes. Entre os trabalhos desenvolvidos estão revestimentos naturais para queijos, filmes com compostos bioativos e formulações diferenciadas para melhorar sabor, textura, maturação e valor nutricional.

As pesquisas incluem ainda a análise de amostras de leite de laticínios parceiros, permitindo monitorar composição, possíveis fraudes e conformidade com parâmetros legais. Os resultados ajudam os estabelecimentos a aprimorar processos, garantindo que o leite destinado ao beneficiamento industrial atenda aos padrões de qualidade e segurança.

Com avanços tanto no controle microbiológico quanto no desenvolvimento de novas tecnologias de higienização, as pesquisas da UEM fortalecem a cadeia leiteira regional e contribuem para uma produção mais segura, saudável e sustentável.

Assista a matéria

(Texto: Adriana Cardoso)

(Fotos: Heitor Marcom)

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