quinta-feira, março 5, 2026

Produção de noz-pecã pode chegar a 7 mil toneladas na safra 2026

Estimativa do IBPecan considera alta carga de frutos e novos pomares, mesmo com pressão fitossanitária causada por chuvas acima da média desde a primavera

A produção brasileira de noz-pecã na safra 2026 deve representar uma recuperação relevante em relação aos últimos ciclos e alcançar entre 6,5 mil e 7 mil toneladas, impulsionada pela elevada carga de frutos nos pomares e pela entrada de novas áreas em produção. Conforme avaliação do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), a expectativa é superior à de 2025, que foi intermediária e relativamente baixa em função dos impactos das enchentes de 2024.

O presidente da entidade, Claiton Wallauer, afirma que a produção está chegando a um volume semelhante ao de 2023, próximo de 7 mil toneladas, com possibilidade de superar esse número. Em relação ao mercado, a avaliação é de que, mesmo com uma safra maior em 2026, a combinação entre demanda externa e abertura de novos mercados pode sustentar preços próximos aos do ciclo anterior, especialmente para lotes de melhor qualidade.

De acordo com Wallauer, o contexto internacional tem ampliado as perspectivas para o setor. “Nos últimos três anos, empresas e novos investidores passaram a observar com mais atenção as possibilidades de exportação, porque o preço de referência, que é o da noz norte-americana, está em um patamar interessante. Estados Unidos e México não conseguiram formar estoques de passagem relevantes, o que mantém o mercado mais aquecido”, informa.

Segundo o presidente do IBPecan, essa dinâmica tende a reduzir a volatilidade interna mesmo em um cenário de maior oferta. “Com novos canais de exportação, existe uma tendência de que o preço não sofra quedas acentuadas, como ocorreu em outros momentos de safra cheia. Isso funciona como um mecanismo de proteção para produtores e investidores”, ressalta.

O coordenador técnico do Instituto, Jaceguáy Barros, lembra que todo esse contexto ocorre em meio a um comportamento climático atípico, marcado por volumes de chuva acima da média histórica desde a primavera do ano passado. Somente em dezembro, o acumulado médio de precipitação chegou a 240 milímetros, enquanto janeiro registrou 236 milímetros, patamar semelhante ao do mês anterior. A combinação entre alta umidade e temperaturas elevadas tem aumentado a incidência de problemas fitossanitários nos pomares, com registros pontuais de doenças e queda de frutos.

Barros observa que já há ocorrência de antracnose em algumas áreas. “Essas chuvas com temperaturas elevadas têm causado uma pressão muito grande no caso das doenças, e nos últimos dias observamos pomares com problemas de antracnose, com queda de fruta”, comenta. Além das condições climáticas, ele destaca desafios operacionais enfrentados por parte dos produtores, especialmente relacionados à pulverização fitossanitária. “O crescimento do porte das árvores exige equipamentos mais potentes para garantir cobertura adequada, e ainda existem limitações tanto nos planos fitossanitários quanto nos equipamentos disponíveis para alcançar pomares mais desenvolvidos”, explica.

Após um início de fevereiro sem volumes significativos de chuva, a previsão indica a entrada de uma frente fria nos próximos dias, com novos acumulados elevados. A tendência para março e abril é de manutenção de volumes acima da média, porém com chuvas irregulares e temperaturas entre a média histórica e ligeiramente superiores. Nesse contexto, o manejo da irrigação exige atenção constante. “Quando as chuvas ficam entre 25 e 30 milímetros, o produtor pode suspender a irrigação por um ou dois dias, mas precisa retomar rapidamente para que o enchimento dos frutos ocorra de forma adequada”, afirma o coordenador técnico.

Outro ponto de atenção é a disponibilidade de mão de obra para a colheita, etapa decisiva para a qualidade do produto. Barros destaca que a operação precisa ocorrer de forma ágil para evitar perdas. “É fundamental que a colheita seja realizada rapidamente, evitando que os frutos permaneçam no solo, o que exige mão de obra e equipamentos adequados”, observa.

Apesar das preocupações fitossanitárias, Barros reforça que o desempenho produtivo dos pomares tem sido positivo nesta safra, com carga elevada de frutos em grande parte das áreas. “A entrada de novos pomares em fase produtiva reforça a expectativa de crescimento da oferta nacional”, pontua. (Divulgação)

Foto: IBPecan/Divulgação

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