O avanço da colheita da segunda safra continua pressionando as cotações do milho no mercado brasileiro. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a maior oferta do cereal, somada à postura cautelosa dos compradores tanto no mercado interno quanto nos portos, tem mantido os preços em queda em diversas regiões produtoras.
Em algumas praças acompanhadas, especialmente nas áreas de produção, as médias registradas na primeira quinzena de junho figuram entre as menores do ano em termos nominais. Em Campo Mourão, um dos principais polos agrícolas do Paraná, a saca de 60 quilos está sendo negociada nesta segunda-feira (22) a R$ 50,00.
Segundo o Cepea, os consumidores seguem monitorando o ritmo da colheita da safrinha e afirmam estar abastecidos para atender à demanda de curto prazo. Com isso, muitos compradores têm adiado novas aquisições, à espera de preços ainda mais baixos. A estratégia também é influenciada pela recente desvalorização das cotações internacionais, que reduz a competitividade das exportações brasileiras.
Do lado da oferta, produtores que não enfrentam necessidade imediata de caixa ou que ainda possuem espaço para armazenagem continuam restringindo as vendas, evitando negociar em momentos de preços menos atrativos.
Chicago opera em queda
No mercado internacional, os contratos futuros do milho registravam recuo na Bolsa de Chicago na manhã de hoje, refletindo a expectativa de ampla oferta global. Por volta das 8h30 (horário de Brasília), as cotações apresentavam o seguinte desempenho:
- Julho/2026: 415,25 cents por bushel (-2,25)
- Setembro/2026: 423,50 cents por bushel (-1,75)
- Dezembro/2026: 442,75 cents por bushel (-1,25)
- Março/2027: 456,75 cents por bushel (-1,00)
Clima preocupa para a próxima safra
Além das movimentações de mercado, o setor acompanha com atenção os impactos do fenômeno El Niño sobre o próximo ciclo agrícola. A atuação do evento climático foi confirmada no Brasil e pode alterar o regime de chuvas em importantes regiões produtoras.
No Sul do País, a tendência é de aumento das precipitações, o que pode dificultar a semeadura da safra de verão em algumas áreas. Já no Centro-Oeste, a previsão de chuvas irregulares e temperaturas mais elevadas pode provocar atrasos no plantio das culturas de verão. Caso esse cenário se confirme, o calendário da segunda safra de milho também poderá ser afetado, com parte das lavouras sendo implantada fora da janela considerada ideal.
Foto: Cleber França




