Os preços dos etanóis anidro e hidratado registraram alta pela segunda semana consecutiva no mercado paulista, impulsionados por uma combinação de fatores ligados à oferta e à demanda. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as chuvas que atingiram regiões produtoras até a metade da semana passada dificultaram o ritmo de moagem da cana-de-açúcar em algumas usinas, contribuindo para uma postura mais firme dos vendedores nas negociações.
No caso do etanol hidratado, utilizado diretamente nos veículos flex, o volume de negócios cresceu nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, principal polo produtor do país, as negociações mantiveram estabilidade nas últimas duas semanas. Apesar desse movimento, as distribuidoras continuam adotando cautela nas compras. Segundo pesquisadores do Cepea, o mercado segue atento ao cenário de ampla produção e aos estoques de etanol, que permanecem acima dos níveis observados no mesmo período da safra passada.
Já o mercado de etanol anidro, misturado obrigatoriamente à gasolina, segue aquecido. O volume negociado no mercado spot permanece elevado há duas semanas, refletindo a expectativa em torno da votação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre o aumento da mistura obrigatória do biocombustível à gasolina, proposta conhecida como E32. A análise da medida está prevista para esta quarta-feira (24) e tem gerado maior interesse dos agentes do setor.
Açúcar mantém trajetória de queda
Enquanto o mercado de etanol apresenta sinais de fortalecimento, o açúcar cristal branco continua enfrentando pressão nos preços em São Paulo. Conforme o Cepea, a baixa liquidez tem predominado nas negociações, com compradores mantendo postura retraída. As chuvas recentes reduziram temporariamente o ritmo da colheita da cana, mas a oferta disponível de açúcar segue suficiente para atender à demanda atual, o que tem sustentado o movimento de queda das cotações.
Pelo lado da produção, dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que a fabricação de açúcar no Centro-Sul do Brasil caiu 25% na segunda quinzena de maio em comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando 2,19 milhões de toneladas. Segundo pesquisadores do Cepea, o recuo está ligado principalmente às chuvas acima da média registradas em áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul, que afetaram a moagem da cana. Além disso, parte maior da matéria-prima tem sido direcionada para a produção de etanol, reduzindo a disponibilidade para a fabricação de açúcar.
Mesmo diante dessa redução na produção, o mercado açucareiro segue pressionado pela demanda enfraquecida, enquanto o setor de etanol encontra suporte tanto na movimentação dos compradores quanto nas expectativas regulatórias para os próximos meses.
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