A carne suína vem enfrentando maior concorrência no mercado brasileiro neste mês. Apesar da demanda aquecida, impulsionada pelas temperaturas mais baixas e pelas festividades típicas de junho, os preços da carcaça especial suína negociada na grande São Paulo seguem em queda. O movimento é influenciado pelos elevados estoques mantidos pela indústria, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Embora a procura por cortes suínos tenha aumentado nas últimas semanas, o volume disponível nos frigoríficos tem sido suficiente para atender ao mercado, limitando a valorização dos preços. Pesquisadores do Cepea destacam que a combinação entre oferta confortável e estoques elevados tem impedido que o aumento da demanda se converta em ganhos para a cadeia produtiva.
Tradicionalmente, o período de festas juninas e o avanço do frio em diversas regiões do país favorecem o consumo de produtos derivados da carne suína, como costelas, pernis, linguiças e outros cortes utilizados em refeições típicas da estação. Neste ano, porém, a maior procura não foi suficiente para reduzir os estoques acumulados pela indústria, mantendo pressão sobre os preços da carcaça especial.
Além da dificuldade para sustentar os preços, a carne suína perdeu competitividade em relação às principais proteínas consumidas pelos brasileiros. Os valores da carcaça casada bovina e do frango resfriado registraram quedas ainda mais acentuadas no mercado paulista. Como resultado, essas proteínas passaram a oferecer uma relação de custo mais atrativa para consumidores e varejistas.
O cenário interrompe uma sequência positiva para o setor suinícola. A carne suína havia acumulado oito meses consecutivos de ganhos de competitividade frente à carne bovina e dois meses em relação ao frango resfriado.
Mercado do suíno também recua no Paraná
No Paraná, um dos principais estados produtores de suínos do país, o mercado também apresenta enfraquecimento nas cotações.
De acordo com os dados mais recentes, o quilo do suíno vivo tipo carne é negociado, em média, a R$ 5,05, registrando queda de 0,20% em relação ao levantamento anterior.
A retração acompanha o comportamento observado em outras regiões produtoras, refletindo o equilíbrio entre oferta e demanda e a dificuldade da cadeia em repassar preços ao mercado consumidor.
Foto: Divulgação/SAPE




