quarta-feira, julho 8, 2026

Greening avança desafia a citricultura brasileira

Soluções voltadas ao equilíbrio fisiológico e nutricional dos pomares ajudam produtores a enfrentar uma das principais ameaças dos citros

Quem caminha pelas linhas de um laranjal no interior de São Paulo pode não notar à primeira vista, mas o cinturão citrícola brasileiro trava uma guerra silenciosa e devastadora. “O inimigo é pequeno, porém capaz de causar prejuízos bilionários: o psilídeo (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão do HLB, mais conhecido como greening, uma das doenças mais destrutivas da citricultura mundial”, alerta o engenheiro agrônomo Bruno Neves, gerente técnico da BRQ Brasilquímica.

Estudos da Embrapa e do Fundecitrus mostram que a enfermidade já afeta quase metade das plantas do cinturão citrícola, principal região produtora de laranjas do mundo. “Seu impacto vai muito além da queda da produção: a doença pode reduzir a produtividade dos pomares em até 70%, comprometer a qualidade dos frutos e tornar áreas jovens economicamente inviáveis em apenas cinco anos”, destaca Bruno.

O cenário preocupa ainda mais no momento em que a safra 2026/2027 apresenta perspectivas de menor produção. Segundo estimativas do Fundecitrus analisadas pelo Cepea, o cinturão de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro deverá colher cerca de 255,2 milhões de caixas de laranja, volume aproximadamente 13% inferior ao registrado na safra anterior. A menor oferta reforça a necessidade de proteger a produtividade dos pomares diante dos desafios fitossanitários, como o greening.

“O greening é causado por bactérias que se instalam nos vasos condutores da planta, dificultando o transporte de água e nutrientes. Ao se alimentar da seiva de árvores contaminadas, o inseto pode adquirir a bactéria e transmiti-la para plantas sadias, disseminando rapidamente a doença pelo pomar”, explica o gerente técnico da BRQ Brasilquímica.

A doença não tem cura e é identificada por sintomas como amarelecimento irregular das folhas, frutos deformados, sementes abortadas, redução do tamanho dos frutos, queda prematura e diminuição progressiva da produtividade. “Quando a infestação é confirmada, a recomendação técnica é a erradicação da árvore contaminada para evitar que ela se torne fonte de inoculação para outras plantas do pomar”.

“A prevenção é a principal estratégia de manejo. Também se recomenda a adoção de práticas integradas, como monitoramento constante das áreas, controle rigoroso do psilídeo e manejo voltado ao fortalecimento fisiológico das plantas. Preparar o pomar para enfrentar os desafios do campo tornou-se um diferencial importante para preservar o potencial produtivo e aumentar sua longevidade”, ressalta Bruno Neves.

Como parte da estratégia preventiva, soluções que contribuem para o equilíbrio fisiológico e nutricional das plantas ganham espaço na citricultura moderna. “Desenvolvimentos QualyAplic Revide, um potencializador de inseticidas formulado com óleos essenciais de alho, nim e D-limoneno. Ele fortalece as defesas naturais das plantas contra o ataque de pragas. Temos também o fertilizante foliar QualyFol Extrator, que nutre e estimula a imunidade natural das plantas, colaborando para o combate a fungos e bactérias”.

“Essas soluções podem ser combinadas com programas de manejo, contribuindo para que os pomares mantenham maior equilíbrio fisiológico. Investir em prevenção e fortalecimento das plantas é uma das estratégias mais importantes para proteger a produtividade, a rentabilidade e a sustentabilidade da citricultura brasileira”, finaliza Bruno Neves. 

Foto: Álvaro Rezende

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