Recebimento itinerante promovido pela ADITA e pelo inpEV facilita a devolução de embalagens de defensivos agrícolas e fortalece a logística reversa no campo
A preservação ambiental ganhou um importante reforço nesta quarta-feira (5), em Maringá. Dezenas de produtores rurais participaram das ações do Dia Nacional do Campo Limpo (DNCL), que uniram conscientização, educação ambiental e o Recolhimento Itinerante Integrado, promovido pela Associação dos Distribuidores de Insumos e Tecnologia Agropecuária (ADITA), em parceria com o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV).
Realizado na comunidade Guerra, o evento aproximou o sistema de logística reversa das propriedades rurais, permitindo que os agricultores entregassem as embalagens em um ponto de coleta instalado próximo às suas propriedades. A iniciativa reduz deslocamentos, facilita o cumprimento da legislação e reforça uma prática que faz do Brasil referência mundial na destinação ambientalmente correta desse tipo de resíduo.
Mais do que devolver uma embalagem, o produtor rural participa de um processo que começa ainda na aplicação do defensivo agrícola. O agricultor Márcio Mandarino explica que cada etapa exige responsabilidade e faz parte da rotina das propriedades. “Tudo começa com a aplicação correta, seguindo a recomendação agronômica. Depois vem a tríplice lavagem, o armazenamento adequado e, por fim, a devolução das embalagens acondicionadas em big bags. É um compromisso que o agricultor tem com o meio ambiente e com a sustentabilidade da atividade.”
Segundo ele, o recolhimento itinerante promovido pela ADITA representou um grande avanço para quem vive no campo. “Antes era preciso levar esse material até uma unidade de recebimento. Hoje, a ADITA organiza pontos de coleta próximos das propriedades. Isso facilitou muito a vida dos agricultores, reduziu custos e aumentou a participação dos produtores na devolução das embalagens.”

Segurança para quem produz e para quem vive no campo
Já o agricultor Renato Barbeiro destaca que a logística reversa também protege a saúde das famílias rurais. “É um trabalho exemplar. Quando entregamos essas embalagens, evitamos qualquer risco de contaminação da propriedade, dos poços artesianos e da natureza. É uma segurança para nós e para nossos filhos.”
Ele afirma ainda que participa de todas as campanhas de recolhimento promovidas pela associação. “Sempre fazemos a tríplice lavagem, armazenamos corretamente e entregamos as embalagens. Hoje é impossível imaginar o agronegócio sem esse trabalho. Se não existisse esse sistema, qual seria o destino desse material? Certamente seria um problema ambiental.”

Trabalho fortalece a imagem do agronegócio
Para o agricultor Vilson Tonelli, além de facilitar a rotina das propriedades, a atuação da ADITA ajuda a mostrar o compromisso ambiental do produtor brasileiro. “Sem esse trabalho seria praticamente inviável fazer a destinação correta das embalagens. A ADITA oferece toda a estrutura para que o agricultor cumpra sua parte, e isso fortalece o agronegócio.”
Tonelli lembra que o setor frequentemente é alvo de críticas, mas ressalta que a realidade nas propriedades é diferente. “O produtor brasileiro preserva matas, protege nascentes e segue rigorosamente as normas para devolver as embalagens de defensivos agrícolas. Muitas vezes essas ações não aparecem, mas fazem parte da rotina de quem vive no campo.”

Paraná é referência na destinação correta
Os resultados do Sistema Campo Limpo mostram a dimensão desse trabalho. Desde 2002, mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas receberam destinação ambientalmente correta no Brasil. Somente em 2025, foram 75.996 toneladas, o maior volume anual já registrado pelo sistema.
No Paraná, o total destinado chegou a 8.728 toneladas, cerca de 11% de todo o volume nacional. Grande parte desse resultado passa pela atuação da ADITA, responsável pela coleta e destinação de mais de 90% das embalagens vazias no Noroeste do Paraná, além de parte das regiões Oeste e Sudoeste do estado e do Oeste de Santa Catarina.
A associação destina aproximadamente 2 mil toneladas por ano, volume equivalente a cerca de 22% de todo o material recebido no Paraná, atendendo mais de 12 mil produtores rurais. “Trata-se de um compromisso de nossa associação com toda a sociedade, onde essas embalagens são recolhidas e destinadas de forma ambientalmente correta”, explicou o diretor executivo da associação, Waldir José Baccarin.
Segundo ele, depois de recolhidas as embalagens são encaminhadas as centrais onde são triadas, prensadas e transportadas até a recicladoras. “Essas embalagens são transformadas em mais de 30 produtos, incluindo novas embalagens, fechando assim o ciclo da logística reversa. Cerca de 95% de todas as embalagens de produtos comercializados recebem este destino”, contabilizou Baccarin.
Parceria amplia o alcance da logística reversa
A coordenadora regional de Operações do inpEV – Região 7, Adriana de Amorim, destaca que o sucesso do programa é resultado da atuação integrada entre todos os elos da cadeia. “A parceria entre o inpEV e a ADITA fortalece a logística reversa no Paraná. Os recebimentos itinerantes aproximam os serviços dos produtores rurais, oferecendo praticidade e eficiência na devolução das embalagens. Esse trabalho contribui para que o estado seja referência nacional em destinação ambientalmente correta e amplia as ações de conscientização voltadas à sustentabilidade.”
Ciclo sustentável continua
As atividades do Dia Nacional do Campo Limpo prosseguem na região nos próximos dias. Em 11 de agosto, o Recebimento Itinerante será realizado em Nova Cantu, na região de Campo Mourão. Já em 18 de agosto, a ação acontece em Paranavaí.
Na mesma data, estudantes de escolas participantes do Programa Educacional Ambiental (PEA) Campo Limpo acompanharão a exibição de um vídeo sobre logística reversa, ampliando o alcance da educação ambiental entre as novas gerações.
Neste ano, a 22ª edição do Dia Nacional do Campo Limpo reúne mais de 220 ações em 21 estados brasileiros, reforçando um modelo que tornou o Brasil referência mundial em logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas.




