O custo de produção do frango vivo no Paraná aumentou em agosto de 2026, enquanto o preço recebido pelos avicultores recuou. O cenário reduziu a margem da atividade e elevou a pressão sobre os produtores, segundo dados da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), da Embrapa Suínos e Aves, divulgados no Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral).
O custo de produção do frango criado em aviários climatizados com pressão positiva chegou a R$ 4,85 por quilo em agosto. O valor representa alta de 1,68% em relação a julho, quando estava em R$ 4,77/kg, e aumento de 5,66% na comparação com agosto de 2025, quando o custo era de R$ 4,59/kg.
Custos aumentam
O Índice de Custos de Produção de Frango (ICPFrango) alcançou 374,97 pontos em agosto, considerando janeiro de 2010 como base de 100 pontos. O indicador subiu 1,56% no mês, acumulou alta de 5,48% em 12 meses e avanço de 4,10% no ano.
Entre os principais responsáveis pela alta mensal estão os custos com energia elétrica, calefação e cama, que aumentaram 6,88%, além da ração, com alta de 3,77%, e dos custos de capital, que subiram 3,02%. Na outra ponta, o custo com genética recuou 5,52%. Mão de obra, sanidade e transporte permaneceram estáveis no período.
No acumulado de 2026, a maior alta ocorre nos custos de sanidade, com 35,70%, seguida por energia elétrica, calefação e cama, com 8,54%; transporte, 7,68%; mão de obra, 5,68%; ração, 5,61%; e genética, 0,39%. Os custos de capital foram o único grupo com redução, de 9,16%.
Ração pesa no bolso
A alimentação continua sendo o principal componente do custo da avicultura paranaense. A nutrição representa 63,71% do custo total de produção no modelo utilizado pelo Paraná.
No ICPFrango, a alimentação responde por 63,87% da composição do índice e acumula alta de 5,61% no ano e de 5,30% nos últimos 12 meses.
O preço da ração chegou a R$ 3,09 por quilo em agosto, aumento de 3,69% sobre julho, quando estava em R$ 2,98/kg. Na comparação anual, a alta foi de 5,10%.
Avicultor recebe menos
Enquanto o custo de produção aumentou, o preço recebido pelo produtor paranaense apresentou leve queda. O preço nominal médio estadual do frango vivo ficou em R$ 4,73 por quilo em agosto, ante R$ 4,74 em julho. A retração mensal foi de 0,21%. Na comparação com agosto de 2025, quando o produtor recebia, em média, R$ 4,92/kg, a queda foi de 3,86%.
Com o custo de produção em R$ 4,85/kg e o preço de venda em R$ 4,73/kg, o avicultor paranaense trabalhou com uma margem negativa de R$ 0,12 por quilo, equivalente a 2,47% abaixo do custo.
Milho e farelo de soja encarecem
A pressão sobre as margens também está relacionada ao aumento dos preços das principais matérias-primas utilizadas na alimentação das aves.
Segundo dados da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab/Deral), o milho chegou a R$ 64,56 por saca de 60 quilos em agosto, alta de 4,8% no mês e de 6,9% em 12 meses.
O farelo de soja alcançou R$ 1.973,53 por tonelada, avanço de 5,4% em relação a julho e de 17% na comparação com agosto de 2025.
Relação de troca piora
A combinação entre a queda do preço do frango vivo e o aumento das matérias-primas também deteriorou a relação de troca para o produtor.
Em agosto de 2026, foram necessários 227 quilos de frango para comprar uma tonelada de milho. No mesmo mês de 2025, eram necessários 205 quilos.
Com o farelo de soja, a relação também piorou. A quantidade necessária passou de 343 quilos de frango por tonelada em agosto de 2025 para 417 quilos em agosto de 2026.
Os números mostram um cenário de maior pressão sobre a avicultura paranaense, com custos em alta, preço do frango vivo em queda e necessidade de maior volume de produção para a aquisição dos principais insumos utilizados na alimentação das aves.
Foto: Divulgação/FAE




