Estudo comparativo realizado pela NemaBrasil mostra que a arquitetura do sistema de pulverização pode interferir diretamente na sobrevivência de Bradyrhizobium japonicum durante a aplicação
O avanço dos bioinsumos está transformando o manejo das lavouras brasileiras e trazendo um novo desafio para a mecanização agrícola: como garantir que microrganismos vivos cheguem ao sulco de plantio em condições adequadas para desempenhar sua função?
Durante muitos anos, os sistemas de pulverização foram desenvolvidos principalmente para transportar, dosar e aplicar produtos químicos. Com a crescente utilização de inoculantes e outros produtos biológicos, entretanto, somente acertar a dose e a vazão pode não ser suficiente.
Quando a calda contém organismos vivos, o que acontece dentro do equipamento — desde o tanque até o ponto de aplicação — também passa a ser relevante. Pressão, temperatura, tempo de operação e recirculação estão entre os fatores que podem submeter as bactérias a diferentes condições antes que elas cheguem ao solo.
É nesse cenário que surge uma nova geração de equipamentos baseada no bombeamento sob demanda, conceito utilizado no sistema eMAX, desenvolvido pela SAFRAMAX para aplicação no sulco.

Do circuito com recirculação ao bombeamento sob demanda
A diferença entre os conceitos está principalmente na forma como a calda percorre o equipamento.
No sistema hidráulico convencional avaliado em estudo realizado pela NemaBrasil, a calda que não é aplicada retorna ao tanque e pode voltar a passar pelo circuito pressurizado ao longo da operação.
Já no eMAX, não ocorre essa recirculação. O sistema direciona ao circuito a quantidade de calda necessária para a aplicação, fazendo com que o inoculante passe pela pressão apenas uma vez antes de seguir para o sulco.
Essa diferença de engenharia ganhou importância quando os dois sistemas foram submetidos a uma avaliação comparativa utilizando Bradyrhizobium japonicum.
Estudo comparou eMAX e sistema hidráulico convencional
A SAFRAMAX submeteu as duas tecnologias a um estudo conduzido pela NemaBrasil – Laboratório, Consultoria e Pesquisa Agrícola, de Cambé (PR), sob responsabilidade técnica dos engenheiros agrônomos Dr. Fernando Cesar Baida e Dra. Camila Torres Stroze.
O objetivo foi avaliar a influência dos dois sistemas sobre a viabilidade de Bradyrhizobium japonicum utilizado na aplicação dirigida ao sulco de plantio.
O experimento comparou o sistema hidráulico convencional e o eMAX nas pressões de 15 e 30 PSI, avaliando possíveis danos ao inoculante. O trabalho contou com 24 tratamentos e três repetições, com a viabilidade determinada pela contagem de Unidades Formadoras de Colônias por mililitro (UFC/mL). LEA – Aplicação de bradyrhizobi…
Os equipamentos foram inicialmente abastecidos com 900 litros de calda e dez doses do produto contendo Bradyrhizobium. As amostras foram coletadas inicialmente como testemunha e posteriormente quando o volume do tanque atingia 90%, 70%, 50%, 30% e 10% de sua capacidade.
Resultados mostram diferença na sobrevivência das bactérias
Os números encontrados chamam atenção. A 30 PSI, a testemunha do eMAX apresentou 15 milhões de UFC/mL. Durante a operação, nas diferentes condições de volume do tanque, as contagens permaneceram entre aproximadamente 11,3 milhões e 14 milhões de UFC/mL.
No sistema hidráulico convencional avaliado, a testemunha apresentou 14 milhões de UFC/mL. Após a passagem pelo equipamento, foram encontrados aproximadamente 1,33 milhão de UFC/mL com 90% do tanque, 1,23 milhão com 70%, 1,13 milhão com 50% e, nas etapas finais, 153 mil UFC/mL com 30% e 173 mil UFC/mL com 10% do volume do tanque.
Na prática, nas condições avaliadas pelo estudo, o eMAX manteve a população de Bradyrhizobium na ordem de 10? UFC/mL, enquanto o sistema hidráulico convencional chegou à ordem de 10? UFC/mL.
O comportamento também foi observado a 15 PSI. No eMAX, as contagens permaneceram entre aproximadamente 11,7 milhões e 13 milhões de UFC/mL durante a operação, frente a uma testemunha de 16,7 milhões.
No sistema hidráulico, a redução tornou-se mais expressiva a partir de 50% da capacidade do tanque, chegando a aproximadamente 900 mil UFC/mL quando restavam 10% da calda.
Por que a recirculação importa?
O próprio estudo destaca que, durante a pulverização, bactérias podem ser submetidas a estresses físicos relacionados à pressão, cavitação e cisalhamento, potencialmente comprometendo sua viabilidade. Na interpretação dos pesquisadores, os resultados observados no sistema hidráulico estiveram associados à interação entre recirculação, pressão, temperatura e tempo de operação.
A 30 PSI, por exemplo, o relatório registrou diferença estatística entre os tratamentos do sistema hidráulico e a testemunha, enquanto o eMAX manteve as concentrações na casa de 10? UFC/mL ao longo das condições avaliadas.
Isso coloca em discussão um aspecto que ganha importância com a expansão dos bioinsumos: a máquina deixa de ser apenas responsável por transportar a calda e passa a ter participação na preservação das condições do produto biológico até sua aplicação.
Engenharia precisa acompanhar a evolução dos bioinsumos
No caso da soja, bactérias do gênero Bradyrhizobium possuem papel fundamental na Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), estabelecendo uma associação com a planta que permite a utilização do nitrogênio atmosférico.
Por isso, quando o produtor investe em inoculantes, existe uma diferença importante entre simplesmente colocar determinado volume de produto no sulco e garantir que uma população adequada de microrganismos viáveis chegue até ele.
Foi justamente a partir dessa necessidade que a SAFRAMAX desenvolveu a tecnologia eMAX.
O conceito substitui a recirculação contínua da calda pelo bombeamento sob demanda, buscando reduzir as sucessivas passagens do produto pelo sistema pressurizado.
Os resultados do estudo da NemaBrasil reforçam essa diferença. Na conclusão do laudo, os pesquisadores relatam que o eMAX apresentou menor redução e maior preservação das células do inoculante, mantendo as UFCs na ordem de 10? em todas as condições avaliadas. No equipamento hidráulico convencional testado, as contagens chegaram à ordem de 10? UFC/mL, sendo recirculação, temperatura e pressão apontadas como fatores importantes para a redução observada.
Uma nova pergunta no momento de escolher o equipamento
Com a evolução da agricultura biológica, alguns critérios tradicionais utilizados para avaliar equipamentos de aplicação começam a dividir espaço com novas questões.
Capacidade do tanque, pressão, vazão, número de linhas e precisão de aplicação continuam importantes. Mas, quando o produto transportado contém organismos vivos, surge uma pergunta adicional:
o que acontece com esses microrganismos entre o tanque e o sulco de plantio?
O estudo realizado com Bradyrhizobium japonicum mostra que a arquitetura do circuito pode fazer diferença.
Mais do que uma mudança de componentes, o bombeamento sob demanda representa uma mudança de conceito: se os insumos utilizados na agricultura estão evoluindo para soluções biológicas, a engenharia das máquinas responsáveis por aplicá-los também precisa evoluir.
Fonte técnica: Laudo Técnico de Eficiência e Praticabilidade Agronômica — “Avaliação da viabilidade de Bradyrhizobium após pressurização em tanques de pulverização para aplicação em sulco com sistema hidráulico e eMAX”, NemaBrasil – Laboratório, Consultoria e Pesquisa Agrícola, Cambé/PR
Fotos: divulgação





