quinta-feira, julho 2, 2026

A “Capital Nacional da Goiaba” fica no Paraná

Carlópolis, no Norte Pioneiro, é a Capital Nacional da Goiaba, título concedido por meio da Lei Federal 14.672/2023, sancionada na semana passada. É um reconhecimentos não apenas à quantidade da fruta produzida no município, mas também à qualidade, o que abriu portas para o mercado internacional, com exportação para países da Europa e Oriente Médio. Esses resultados são fruto de um esforço integrado que inclui principalmente a dedicação dos produtores e o trabalho do IDR-Paraná com apoio técnico junto aos agricultores.

Esse é o terceiro grande reconhecimento do produto. Em março de 2019 a goiaba de mesa produzida em Carlópolis conquistou a certificação Good Agricultural Practices (GAP), que reconhece a segurança alimentar e sustentabilidade em produtos de origem agrícola. Ela é concedida por uma organização privada que estabelece padrões voluntários para a certificação de produtos agrícolas em todo o mundo.

Antes, em 2016, já havia obtido o registro de Indicação Geográfica (IG) junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi), com apoio do Sebrae, da prefeitura e do Governo do Estado.

A cidade lidera a produção de goiaba no Paraná. Em 2022 o município cultivou cerca de mil hectares. Eles renderam uma colheita de aproximadamente 38 mil toneladas da fruta, somando um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 129 milhões. A cultura se tornou o principal negócio da agricultura local, responsável por 25% do VBP agropecuária do município, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

A goiaba de Carlópolis também responde por metade da variedade comercializada nas cinco unidades regionais da Ceasa Paraná, o que faz com que o produto seja consumido em todo o Paraná.

ESFORÇO INTEGRADO – Segundo os técnicos do IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater) da região, essa conquista é resultado de vários fatores. Entre eles, o trabalho especializado dos produtores, as condições favoráveis de clima e solo, a disponibilidade de boa tecnologia de produção e de tratamento pós-colheita. Também é decisivo o empenho de várias instituições que prestam apoio aos fruticultores no processo de produção e de acesso ao mercado.

O IDR-Paraná orienta os fruticultores na aplicação de tecnologia de produção e para a realização de um trabalho coletivo, hoje feito através da Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis – COAC, com 43 famílias associadas, e a Associação dos Fruticultores de Carlópolis, com 46.

O último benefício conquistado pela cooperativa, em maio deste ano, com a assessoria dos técnicos do IDR-Paraná, foi a obtenção de R$ 389 mil do programa Coopera Paraná, da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento, para aprimorar a logística de distribuição da produção.

“O IDR-Paraná ajudou na elaboração do projeto, pedimos alguns itens para melhorar o funcionamento da cooperativa, para agregar valor ao produto. Solicitamos, então, uma câmara fria, que neste ano de inverno atípico, mais quente, já foi muito utilizada, contribuiu bastante com a conservação das frutas, com a formação de lotes para o mercado”, destaca a engenheira agrônoma Luiza Rocha Ribeiro, extensionista do IDR.

Nos últimos anos também foram adquiridos alguns climatizadores, um veículo utilitário para a visitação técnica aos produtores e um software, que é usado para fazer anotação de tudo que é feito nas propriedades. Agora ela trabalha com a cooperativa na elaboração de um novo projeto para instalação de sistema próprio de geração de energia com placas solares.

CULTURA EM ALTA – O sabor, o tamanho e a aparência dos frutos de Carlópolis são alguns diferenciais, além da ausência de resíduos de agroquímicos. Este último resultado, segundo a extensionista, é obtido graças à prática de ensacamento dos frutos quando ainda são pequenos. “A técnica impede o ataque de pragas e doenças e, com isso, reduz ou até elimina a necessidade de aplicação de agrotóxicos. O procedimento levou à conquista da certificação Good Agricultural Practices e a uma abertura do mercado internacional para fruta colhida no município”, destaca.

Além dos benefícios econômicos – com a geração de renda para os produtores e empregos para região – a cultura da goiaba também traz benefícios sociais para o município. “A produção da fruta possibilita um retorno alto para o produtor, mesmo em pequenas áreas. Notamos muitos jovens voltando para o campo por causa disso. Ao ver o retorno financeiro os filhos acabam seguindo o caminho dos pais. Existem vários exemplos como esse no município, o que contribui no processo da sucessão familiar”, relata Luiza. (AEN)

Foto:Jaelson Lucas / AEN

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