sexta-feira, março 6, 2026

A “Capital Nacional da Goiaba” fica no Paraná

Carlópolis, no Norte Pioneiro, é a Capital Nacional da Goiaba, título concedido por meio da Lei Federal 14.672/2023, sancionada na semana passada. É um reconhecimentos não apenas à quantidade da fruta produzida no município, mas também à qualidade, o que abriu portas para o mercado internacional, com exportação para países da Europa e Oriente Médio. Esses resultados são fruto de um esforço integrado que inclui principalmente a dedicação dos produtores e o trabalho do IDR-Paraná com apoio técnico junto aos agricultores.

Esse é o terceiro grande reconhecimento do produto. Em março de 2019 a goiaba de mesa produzida em Carlópolis conquistou a certificação Good Agricultural Practices (GAP), que reconhece a segurança alimentar e sustentabilidade em produtos de origem agrícola. Ela é concedida por uma organização privada que estabelece padrões voluntários para a certificação de produtos agrícolas em todo o mundo.

Antes, em 2016, já havia obtido o registro de Indicação Geográfica (IG) junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi), com apoio do Sebrae, da prefeitura e do Governo do Estado.

A cidade lidera a produção de goiaba no Paraná. Em 2022 o município cultivou cerca de mil hectares. Eles renderam uma colheita de aproximadamente 38 mil toneladas da fruta, somando um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 129 milhões. A cultura se tornou o principal negócio da agricultura local, responsável por 25% do VBP agropecuária do município, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

A goiaba de Carlópolis também responde por metade da variedade comercializada nas cinco unidades regionais da Ceasa Paraná, o que faz com que o produto seja consumido em todo o Paraná.

ESFORÇO INTEGRADO – Segundo os técnicos do IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater) da região, essa conquista é resultado de vários fatores. Entre eles, o trabalho especializado dos produtores, as condições favoráveis de clima e solo, a disponibilidade de boa tecnologia de produção e de tratamento pós-colheita. Também é decisivo o empenho de várias instituições que prestam apoio aos fruticultores no processo de produção e de acesso ao mercado.

O IDR-Paraná orienta os fruticultores na aplicação de tecnologia de produção e para a realização de um trabalho coletivo, hoje feito através da Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis – COAC, com 43 famílias associadas, e a Associação dos Fruticultores de Carlópolis, com 46.

O último benefício conquistado pela cooperativa, em maio deste ano, com a assessoria dos técnicos do IDR-Paraná, foi a obtenção de R$ 389 mil do programa Coopera Paraná, da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento, para aprimorar a logística de distribuição da produção.

“O IDR-Paraná ajudou na elaboração do projeto, pedimos alguns itens para melhorar o funcionamento da cooperativa, para agregar valor ao produto. Solicitamos, então, uma câmara fria, que neste ano de inverno atípico, mais quente, já foi muito utilizada, contribuiu bastante com a conservação das frutas, com a formação de lotes para o mercado”, destaca a engenheira agrônoma Luiza Rocha Ribeiro, extensionista do IDR.

Nos últimos anos também foram adquiridos alguns climatizadores, um veículo utilitário para a visitação técnica aos produtores e um software, que é usado para fazer anotação de tudo que é feito nas propriedades. Agora ela trabalha com a cooperativa na elaboração de um novo projeto para instalação de sistema próprio de geração de energia com placas solares.

CULTURA EM ALTA – O sabor, o tamanho e a aparência dos frutos de Carlópolis são alguns diferenciais, além da ausência de resíduos de agroquímicos. Este último resultado, segundo a extensionista, é obtido graças à prática de ensacamento dos frutos quando ainda são pequenos. “A técnica impede o ataque de pragas e doenças e, com isso, reduz ou até elimina a necessidade de aplicação de agrotóxicos. O procedimento levou à conquista da certificação Good Agricultural Practices e a uma abertura do mercado internacional para fruta colhida no município”, destaca.

Além dos benefícios econômicos – com a geração de renda para os produtores e empregos para região – a cultura da goiaba também traz benefícios sociais para o município. “A produção da fruta possibilita um retorno alto para o produtor, mesmo em pequenas áreas. Notamos muitos jovens voltando para o campo por causa disso. Ao ver o retorno financeiro os filhos acabam seguindo o caminho dos pais. Existem vários exemplos como esse no município, o que contribui no processo da sucessão familiar”, relata Luiza. (AEN)

Foto:Jaelson Lucas / AEN

Receba as informações do site diáriamente.

Mais do Canal do Agro

Governo regulamenta regras de salvaguardas em acordos comerciais

Medida protege indústria brasileira em caso de excesso de...

Senado aprova acordo entre Mercosul e União Europeia

Texto ratificado pelos parlamentares conclui tramitação no Congresso O Senado...

IAT aplicou quase R$ 170 mil em multas durante a piracema no PR

O Instituto Água e Terra (IAT) divulgou nesta quarta-feira...

Arroz tem leve alta em fevereiro com oferta restrita

O mercado de arroz em casca no Rio Grande...

Café arábica recua em fevereiro, mas segue em nível elevado

O preço médio do café arábica encerrou fevereiro no...

PF prende Daniel Vorcaro em 3ª fase da Operação Compliance Zero

A terceira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada...

Simental Brasileiro: genética adaptada à realidade do campo

Originária de uma das linhagens europeias mais difundidas no...