Menor oferta de animais sustentou a valorização; exportações seguem em ritmo recorde, enquanto consumidores enfrentam cortes de carne mais caros no mercado interno
O mercado pecuário brasileiro encerrou agosto com valorização expressiva da arroba do boi gordo, que acumulou alta de 5,49% no período. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), a oferta reduzida de animais para abate foi o principal fator que sustentou a tendência de preços mais firmes.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o mês terminou com a arroba cotada a R$ 310,50, confirmando o movimento de recuperação observado desde julho.
Enquanto isso, o mercado externo segue aquecido. As exportações de carne bovina registraram desempenho histórico em julho, com 310 mil toneladas embarcadas, volume recorde para o setor. Esse fôlego internacional tem contribuído para manter a demanda em ritmo forte, mesmo diante de custos elevados no mercado interno.
Para os consumidores brasileiros, o cenário foi de pressão sobre os preços da carne. Levantamento do Deral mostra que, em agosto, apenas dois cortes registraram queda: a alcatra sem osso, que recuou de R$ 53,45 para R$ 52,50 o quilo, e o contrafilé com osso, de R$ 45,88 para R$ 43,37. Os demais cortes apresentaram variação positiva, com reajustes que oscilaram entre 1,7% e 4,3%.
Com a oferta restrita no campo e a demanda firme no mercado internacional, analistas avaliam que a sustentação da arroba tende a permanecer no curto prazo. A atenção, no entanto, se volta para o consumo doméstico, que segue pressionado pela perda de poder de compra da população. (com AEN)
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