sexta-feira, março 6, 2026

Café valoriza 37,5% e atinge maior cotação desde 1998

Em novembro, o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, acumulou expressivo aumento de 37,55%, ou de 527,70 Reais/saca. A média mensal desta variedade foi de R$ 1.774,67/saca de 60 kg, a mais alta desde fevereiro de 1998, em termos reais (deflacionamento pelo IGP-DI de outubro/24). Levantamento do Cepea mostra que este Indicador vem operando acima dos R$ 2.000/sc de 60 kg desde 26 de novembro, encerrando o mês a R$ 2.098,06/sc, o maior valor diário real desde 9 de junho de 1997. Segundo pesquisadores do Cepea, a forte valorização do café segue relacionada sobretudo à oferta restrita no spot nacional, tanto de arábica como de robusta, e à expectativa de menor colheita de robusta no Vietnã.

Produção no Brasil

A produção de café arábica no Brasil desempenha um papel fundamental no mercado global, consolidando o país como o maior produtor mundial desse tipo de grão. O café arábica é conhecido pela sua qualidade superior, com sabor suave e menos amargor do que outras variedades, como o robusta. A história do cultivo de café no Brasil remonta ao século XVIII, quando as primeiras plantações começaram a surgir, impulsionando a economia local e criando uma forte relação entre o Brasil e o mercado cafeeiro internacional.

O clima brasileiro, especialmente nas regiões Sudeste, Sul e Cerrado Mineiro, é ideal para o cultivo do café arábica. Essas áreas possuem altitudes elevadas e temperaturas amenas, proporcionando as condições perfeitas para o desenvolvimento dos grãos de café com alta qualidade. A variedade arábica se adapta bem a essas condições, o que contribui para o reconhecimento global do café brasileiro por sua excelente qualidade. As regiões de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia são as maiores produtoras do país.

O ciclo de produção do café arábica no Brasil envolve diversas etapas, começando com o plantio das sementes em viveiros e, posteriormente, o transplante para os campos. A colheita ocorre geralmente entre maio e setembro, dependendo da região, e é feita de forma manual ou mecanizada, sendo a colheita manual mais comum nas regiões de alta qualidade, onde os grãos são selecionados com mais cuidado. Após a colheita, os grãos passam por processos de secagem e beneficiamento, que incluem a remoção da casca e a classificação conforme o tamanho e a qualidade do grão.

A produção de café arábica no Brasil é influenciada por diversos fatores, incluindo as práticas agrícolas adotadas pelos produtores, o uso de tecnologias avançadas e o manejo sustentável. Muitas fazendas estão investindo em técnicas de cultivo orgânico e em práticas que preservam o meio ambiente, como a utilização de sistemas agroflorestais, que combinam o café com outras culturas e árvores nativas. Isso não só ajuda a conservar o solo e a biodiversidade, mas também atende à demanda crescente por produtos sustentáveis.

Além disso, a indústria cafeeira brasileira enfrenta desafios como variações climáticas, flutuações nos preços do mercado internacional e questões trabalhistas. No entanto, a resiliência dos produtores brasileiros tem sido um diferencial, com inovações no cultivo e no processamento dos grãos, garantindo que o Brasil continue a ser um líder na produção de café de qualidade.

O café arábica brasileiro é altamente valorizado no mercado global, sendo exportado para diversos países, principalmente para os Estados Unidos, Alemanha, Japão e países europeus. A variedade é a preferida entre os consumidores que buscam grãos de café gourmet e de alta qualidade, com sabores que variam de notas frutadas a achocolatadas, dependendo da região e do processo de torrefação.

Em suma, o café arábica produzido no Brasil é sinônimo de qualidade e tradição, refletindo o esforço de gerações de produtores que, com dedicação e inovação, mantêm o país na liderança global. O mercado de café continua a evoluir, e o Brasil segue como um pilar essencial dessa indústria, contribuindo com grãos que encantam os paladares de todo o mundo. (com Cepea)

Foto: José Fernando Ogura/AEN

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