quarta-feira, outubro 21, 2026

Chuvas preocupam e ameaçam qualidade da safra de café

As chuvas acima da média registradas em junho nas principais regiões produtoras de café arábica do Brasil mudaram o ritmo da safra 2026/27 e acenderam um alerta entre produtores e agentes do mercado. Em um período que historicamente é marcado por clima seco, o excesso de precipitações interrompeu a colheita, dificultou o manejo das lavouras e aumentou a preocupação com a qualidade dos grãos.

A avaliação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que apontam impactos tanto na atual temporada quanto no potencial produtivo da safra do próximo ano.

Junho costuma ser um dos meses mais secos nas regiões produtoras de café arábica, condição considerada ideal para a colheita e a secagem dos grãos. Neste ano, porém, o cenário foi completamente diferente.

Segundo o Cepea, os volumes de chuva registrados foram significativamente superiores ao padrão histórico, dificultando o avanço das máquinas e das equipes de colheita nas propriedades.

Além do atraso nas operações, a umidade elevada reduziu a eficiência da secagem dos grãos nos terreiros, etapa fundamental para preservar a qualidade do café antes do beneficiamento.

Qualidade dos grãos entra no radar

Os efeitos das chuvas vão além da interrupção da colheita. Pesquisadores destacam que o excesso de umidade favorece a queda dos frutos maduros, aumentando o risco de perdas diretamente no campo.

Outro problema é a proliferação de mofo, tanto nos grãos que permanecem no solo quanto naqueles ainda presos às plantas. Essa condição pode comprometer a qualidade dos lotes, reduzir o valor comercial do produto e exigir maior rigor na classificação do café.

A qualidade é um dos principais fatores que determinam a remuneração do produtor, especialmente no mercado de cafés especiais e nas exportações.

Clima também preocupa para a próxima safra

As consequências das chuvas podem ultrapassar a atual temporada. Conforme relatos de agentes consultados pelo Cepea, a umidade excessiva neste período do ano pode estimular floradas antecipadas nos cafezais.

Esse comportamento preocupa o setor porque o florescimento fora da época ideal pode comprometer o desenvolvimento dos frutos e reduzir o potencial produtivo da safra que será colhida em 2027.

Especialistas ressaltam que o equilíbrio climático é essencial para garantir um ciclo adequado da cultura, desde a florada até a maturação dos grãos.

Mercado internacional acompanha situação brasileira

O cenário também desperta atenção no mercado global de café. Os estoques mundiais seguem apertados, e a produção brasileira é considerada fundamental para recompor a oferta internacional de café arábica.

Como maior produtor e exportador da variedade no mundo, o Brasil exerce forte influência sobre os preços internacionais. Qualquer redução na qualidade ou no volume disponível pode afetar o abastecimento global e manter as cotações em patamares elevados.

Nos próximos meses, produtores, exportadores e compradores acompanharão de perto a evolução da colheita e das condições climáticas, fatores que serão decisivos para definir o desempenho da safra 2026/27 e as perspectivas para o próximo ciclo.

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