sábado, outubro 31, 2026

Enchentes agravam situação do setor leiteiro no Rio Grande do Sul

Cerca de 500 mil litros de leite deixaram de ser recolhidos e 10 mil hectares de pastagens ficaram estragadas, de acordo com a Gadolando

A produção leiteira no Rio Grande do Sul que já vinha sofrendo prejuízos está enfrentando um agravamento da sua situação com as enchentes que vêm atingindo o Estado. Até o momento, o setor calcula que 10 mil hectares de pastagens foram estragadas e cerca de 500 mil litros de leite deixaram de ser recolhidos, além do comprometimento de silos que foram alagados. Mais de 800 produtores de leite de várias cidades gaúchas, principalmente das regiões da Serra e do Vale do Taquari, foram atingidos diretamente com danos na estrutura das suas instalações, assim como com a morte de animais.

O presidente da Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, lembra que nos últimos três anos o setor leiteiro registrou prejuízos com a estiagem e condições desfavoráveis à produção de alimento para o gado, além da remuneração abaixo do preço do custo de produção. “A queda do litro de leite pago ao produtor nos meses de junho, julho, agosto e setembro, período de entressafra quando historicamente ocorre uma melhor remuneração, aliada agora com o excesso de chuvas e inundações, provocam desânimo no setor”, desabafa.

Tang ressalta que a Gadolando entende que, neste primeiro momento, a prioridade são as pessoas. “A preocupação é muito grande com o número de mortos e desaparecidos. A vida humana não tem preço”, se solidariza, lembrando que estão ocorrendo mutirões de ajuda a todos os atingidos pelas enchentes. “Precisamos ter a ajuda das autoridades constituídas e também das entidades que precisam se unir e ver quais são as reais necessidades”, alerta.

O dirigente destaca, ainda, que já havia dificuldade em produzir comida para o gado no Estado ultimamente e que talvez seja necessário vir alimento de fora. “É uma situação gravíssima para um setor que já está muito ruim. É realmente uma calamidade para o produtor de leite que vinha desestimulado em manter-se na atividade, passando por grandes dificuldades, e agora vê sua família e a estrutura de suas propriedades atingidas pelas enchentes”, finaliza. (Nestor Tipa Júnior)

Foto: Divulgação

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