quarta-feira, outubro 21, 2026

Estudo alerta para avanço de bactéria em criações de peixes

Não há evidências de transmissão a humanos

Um estudo publicado na revista científica Microbial Pathogenesis identificou pela primeira vez no Brasil a presença de diferentes espécies de bactérias do gênero Flavobacterium em peixes cultivados para consumo humano.

A bactéria causa uma doença considerada grave chamada columnariose, que afeta os peixes de criação destinados ao consumo humano. Não há, até o momento, segundo os pesquisadores, evidências de transmissão da doença a seres humanos.

A doença provoca lesões na pele e nas nadadeiras, destrói as brânquias e pode matar os peixes em poucos dias, principalmente os mais jovens.

O estudo foi conduzido por um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Zambeze, em Moçambique,na África.

Os pesquisadores encontraram essas bactérias em tilápias e também em espécies nativas criadas para alimentação, como tambaqui, pacu, lambari e pintado-da-amazônia.

Segundo a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), entidade que financiou a bolsa que deu origem ao estudo, os microrganismos foram identificados por meio de isolamento em laboratório e análises microbiológicas das colônias bacterianas.

As amostras coletadas para o estudo foram obtidas entre 2018 e 2024 em criações de tilápia e de espécies nativas brasileiras, como tambaqui, lambari e pintado-da-amazônia.

Temperatura

Os resultados mostraram que várias dessas bactérias tiveram sua proliferação favorecida em temperaturas próximas de 28°C, bastante comuns em algumas regiões do país.

Nessa temperatura, o microrganismo tem apresentado elevada capacidade de formar biofilmes, que são estruturas protetoras que aumentam sua sobrevivência em equipamentos e instalações de criação.

O alerta acionado pelo estudo está relacionado à saúde dos peixes e à sustentabilidade da produção aquícola, não havendo, até o momento, segundo a pesquisa, riscos de transmissão direta da bactéria para seres humanos.

Os autores do estudo ressaltam a necessidade de vigilância epidemiológica, medidas de biossegurança e desenvolvimento de vacinas para reduzir o impacto desses patógenos sobre a produção de pescado no Brasil.

Foto: FAO/ONU

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