quarta-feira, outubro 21, 2026

Etanol sobe com entressafra e petróleo em alta

Os preços do etanol seguem firmes no estado de São Paulo, sustentados pela oferta limitada durante o período de entressafra e pela valorização do petróleo no mercado internacional, influenciada pelas tensões no Oriente Médio.

De acordo com o Cepea — centro de pesquisas da Esalq/USP especializado em análises do agronegócio — usinas paulistas têm mantido posição firme nas negociações, diante do volume restrito de biocombustível disponível.

Demanda cautelosa limita avanços

Apesar da sustentação nos preços, a demanda é considerada apenas moderada. Distribuidoras seguem cautelosas, comprando volumes pontuais para atender necessidades imediatas. O comportamento reflete as incertezas no cenário global, além das dúvidas sobre os rumos dos preços do petróleo e das políticas da Petrobras.

Entre os dias 9 e 13 de março, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado em São Paulo fechou em R$ 2,9439 por litro (livre de ICMS e PIS/Cofins), com leve alta de 0,30% frente ao período anterior.

Já o etanol anidro foi cotado a R$ 3,2731 por litro (sem PIS/Cofins), registrando pequena queda de 0,02% na mesma comparação.

Açúcar recua no mercado interno

No mercado de açúcar, o Indicador CEPEA/ESALQ do cristal branco (Icumsa 130-180) apresentou queda na última semana no mercado spot paulista. Após um início de período com leve alta, os preços recuaram nos dias seguintes, refletindo ajustes no físico e menor volume de negociações.

Cenário externo dá suporte ao açúcar

No mercado internacional, o açúcar demerara negociado na ICE Futures foi influenciado pela escalada das tensões no Oriente Médio.

A valorização do petróleo — que saiu de cerca de US$ 72 para US$ 103 por barril — contribui para sustentar os preços externos do adoçante, já que pode incentivar a destinação da cana para etanol.

Logística e exportações entram no radar

Segundo o Cepea, um eventual prolongamento do conflito pode gerar impactos logísticos relevantes para o comércio global de açúcar. O aumento das distâncias, dos custos de frete e dos seguros tende a dificultar o escoamento do produto.

O Oriente Médio é um importante destino do açúcar brasileiro. Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que países da região responderam por mais de 5 milhões de toneladas embarcadas em 2025, o equivalente a cerca de 15% das exportações nacionais.

Diante desse cenário, parte do açúcar pode permanecer armazenada nas regiões produtoras à espera de condições mais seguras para exportação, o que também pode influenciar a dinâmica de preços no mercado interno. (com Cepea)

Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN

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