A safra de soja 2025/26 já registra os primeiros focos de ferrugem asiática no Brasil. Três ocorrências foram confirmadas pelo Consórcio Antiferrugem: uma em Corbélia e outra em Terra Roxa, no Paraná, e um terceiro caso em Itapetininga, no estado de São Paulo. A doença, considerada a mais severa da cultura, pode reduzir a produtividade em até 90% quando não há controle adequado.
Identificada no Brasil pela primeira vez em 2001, a ferrugem-asiática da soja segue como uma das principais preocupações de produtores e pesquisadores. Desde então, o monitoramento constante e o avanço das pesquisas têm orientado as estratégias de manejo adotadas no país.
Entre as principais recomendações estão o vazio sanitário — período sem cultivo de soja e com eliminação de plantas voluntárias — para reduzir a presença do fungo, o uso de cultivares de ciclo precoce, semeaduras no início da época indicada e a aplicação criteriosa de fungicidas.
Os produtos utilizados no controle pertencem a três grupos: triazóis (IDM), estrobilurinas (IQe) e carboxamidas (ISDH). No entanto, ao longo das últimas safras, o fungo Phakopsora pachyrhizi desenvolveu resistência parcial a todos esses mecanismos de ação. A perda de eficiência começou a ser observada a partir de 2007/08 com os triazóis, avançou em 2013/14 para as estrobilurinas e atingiu algumas carboxamidas em 2016/17, em regiões específicas.
Mesmo com essa evolução da resistência, os fungicidas ainda são ferramentas essenciais no manejo da ferrugem. Para aumentar a eficiência e retardar novas mutações, o uso de fungicidas multissítios — introduzidos a partir da safra 2013/14 — tornou-se uma estratégia indispensável, sempre seguindo as orientações antirresistência do FRAC.
Os gráficos produzidos pela Rede de Ensaios Cooperativos do Consórcio Antiferrugem mostram, ao longo dos anos, o desempenho dos principais produtos no controle da doença e reforçam a importância do manejo integrado para proteger a produtividade da soja brasileira. (com Embrapa)
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