quinta-feira, outubro 29, 2026

INMET prevê chuvas irregulares e calor acima da média em novembro

Previsão para novembro de 2026 aponta excesso de chuva no Sul e em áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul, enquanto o calor e a irregularidade das precipitações podem dificultar o plantio da safra de verão em outras regiões

O clima deve exigir atenção redobrada dos produtores rurais em novembro. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indica temperaturas acima da média histórica em todas as regiões do Brasil, enquanto a distribuição das chuvas será irregular, com períodos de maior umidade em algumas áreas e volumes abaixo do esperado em outras.

O cenário pode influenciar diretamente o andamento da safra de verão 2026/27, especialmente nas operações de plantio e no desenvolvimento inicial das lavouras de soja e milho. Também há riscos para culturas como café, trigo, canola, arroz e feijão, além de possíveis impactos sobre as pastagens.

De acordo com o prognóstico, as chuvas devem superar a média climatológica em áreas da Região Sul, em Mato Grosso do Sul, no estado de São Paulo e no extremo oeste da Região Norte. Em contrapartida, partes do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste podem registrar precipitações inferiores aos volumes normalmente observados em novembro.

Chuvas irregulares podem dificultar o plantio da soja

A distribuição das precipitações será um dos principais pontos de atenção para o setor agrícola. Enquanto o excesso de umidade pode atrasar a entrada de máquinas no campo, a falta de chuva tende a dificultar a germinação e o estabelecimento das lavouras.

Na Região Norte, a previsão indica irregularidade das precipitações, com possibilidade de volumes abaixo da média em áreas do Pará, Tocantins e Roraima, além de partes do Acre, Amazonas e Rondônia.

Por outro lado, áreas do oeste do Acre e do Amazonas, a região de Madeira-Guaporé, em Rondônia, e o norte do Amapá podem registrar chuvas próximas ou superiores à média histórica.

Nas áreas produtoras de soja do Pará e de Tocantins, a combinação de precipitações irregulares e temperaturas elevadas pode acelerar a perda de água do solo. Para os produtores que ainda não iniciaram a semeadura, o acompanhamento das previsões de curto prazo será importante para reduzir o risco de emergência desuniforme e falhas no estande de plantas.

Nas lavouras já implantadas, a restrição hídrica pode limitar o crescimento vegetativo. Em Rondônia, por outro lado, a recuperação da umidade do solo tende a favorecer o desenvolvimento da soja e a rebrota das pastagens.

Nordeste pode enfrentar dificuldades na implantação da safra

A maior parte da Região Nordeste deve registrar chuvas abaixo da média em novembro. Os maiores déficits são esperados em áreas entre o Maranhão e a Bahia, incluindo importantes regiões produtoras de grãos, como o oeste baiano e o sul do Piauí e do Maranhão.

A irregularidade das precipitações pode comprometer a emergência e o estabelecimento das lavouras de sequeiro, especialmente da soja. O milho de primeira safra também poderá enfrentar dificuldades de implantação, uma vez que o avanço do plantio depende de condições adequadas de umidade no solo.

Nas áreas irrigadas, as temperaturas elevadas devem aumentar a demanda por água das culturas, exigindo atenção ao manejo da irrigação.

No Maranhão, a disponibilidade de radiação solar pode favorecer o desenvolvimento do arroz irrigado. Entretanto, o calor excessivo tem potencial para limitar o crescimento e o perfilhamento das plantas, dependendo da intensidade das temperaturas.

No oeste da Bahia, o feijão de primeira safra, já em fase vegetativa, também exigirá monitoramento da umidade do solo e ajustes na irrigação para atender à maior demanda hídrica.

Centro-Oeste terá condições distintas entre os estados

No Centro-Oeste, a previsão aponta chuvas acima da média no sudoeste de Mato Grosso do Sul e em parte do norte de Mato Grosso. Já o noroeste mato-grossense, o norte de Goiás e o Distrito Federal podem registrar precipitações abaixo da climatologia.

Em Mato Grosso do Sul, a continuidade das chuvas tende a favorecer a recuperação da umidade do solo, o desenvolvimento das lavouras de soja já semeadas e a manutenção das pastagens.

Nas áreas mais ao norte, a combinação de calor e menor volume de precipitações pode aumentar o risco de falhas na germinação, emergência irregular e crescimento mais lento das plantas.

Em Goiás, as condições para o cultivo de soja e milho de primeira safra tendem a ser mais favoráveis no centro-sul do estado, onde a previsão indica volumes de chuva próximos da média. Mesmo nessas áreas, as temperaturas elevadas podem aumentar a necessidade de água das culturas.

Excesso de chuva pode atrasar operações agrícolas no Sudeste

A previsão para o Sudeste aponta diferenças importantes entre os estados. São Paulo deve registrar chuvas mais expressivas, especialmente entre as regiões de Assis e Itapetininga. Em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, por outro lado, a tendência predominante é de precipitações abaixo da média histórica.

Em São Paulo, o excesso de umidade pode dificultar o acesso de máquinas às propriedades e atrasar a semeadura da soja. Ao mesmo tempo, a combinação de umidade e temperaturas elevadas tende a favorecer o crescimento da cana-de-açúcar, das frutíferas e das pastagens.

Nas lavouras de hortaliças, as condições de calor e umidade exigem atenção ao monitoramento de pragas e doenças, especialmente nos períodos de maior instabilidade.

No norte e noroeste de Minas Gerais, a irregularidade das chuvas pode comprometer a implantação das culturas de sequeiro. A falta de umidade adequada aumenta o risco de falhas na emergência e de redução do estande de plantas.

O feijão de primeira safra também dependerá de uma melhor distribuição das precipitações para avançar em condições favoráveis, principalmente no noroeste mineiro.

Calor e falta de água preocupam cafeicultores

A previsão de temperaturas elevadas e possível déficit hídrico merece atenção especial dos produtores de café em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Em novembro, a cultura pode estar em fases importantes para a florada e o pegamento dos frutos. A combinação de calor e baixa disponibilidade de água no solo pode favorecer a queda de flores e de frutos em estágio inicial, conhecidos como chumbinhos, comprometendo o potencial produtivo da safra de 2027.

O risco é maior em lavouras de sequeiro e em áreas com menor capacidade de armazenamento de água no solo. Nessas condições, o monitoramento da umidade e o manejo adequado da irrigação, quando disponível, são medidas importantes para reduzir os efeitos do estresse hídrico.

Sul terá chuva acima da média e risco para culturas de inverno

A Região Sul deve concentrar alguns dos maiores volumes de chuva acima da média histórica em novembro. O prognóstico indica anomalias positivas de pelo menos 75 milímetros, com desvios que podem superar 150 milímetros em áreas do noroeste e do centro-ocidental do Rio Grande do Sul.

A previsão também aponta temperaturas superiores à média climatológica em toda a região, combinação que pode produzir efeitos distintos sobre as atividades agropecuárias.

Nas culturas de inverno em fase final de ciclo, a maior frequência de instabilidades pode comprometer a qualidade da produção. No trigo, a umidade elevada pode favorecer a germinação dos grãos ainda nas espigas. Na canola, as condições adversas podem aumentar as perdas por debulhamento.

O excesso de chuva também pode dificultar o manejo do solo e atrasar a semeadura da soja, além de prejudicar a emergência e o estabelecimento das lavouras quando as operações forem realizadas em condições inadequadas de umidade.

Por outro lado, nas áreas em que a soja e o milho já estiverem estabelecidos, a disponibilidade de água tende a favorecer o crescimento das plantas.

Ainda assim, o INMET alerta para a possibilidade de episódios de tempo severo. Tempestades isoladas, vendavais, granizo e chuvas intensas em curtos períodos podem provocar danos às lavouras e a outras atividades agropecuárias.

No arroz irrigado, a combinação de umidade elevada e temperaturas altas pode favorecer a ocorrência de doenças fúngicas, exigindo atenção ao manejo fitossanitário.

As pastagens, por sua vez, tendem a apresentar crescimento mais acelerado com a maior disponibilidade de água no solo e o calor. Para aproveitar esse potencial, o manejo do pastejo deve evitar a pressão excessiva dos animais, que pode provocar pisoteio e degradação dos piquetes.

Temperaturas devem superar a média em todo o Brasil

Além da distribuição irregular das chuvas, o calor será uma característica marcante de novembro. A previsão do INMET indica temperaturas médias acima da climatologia nas cinco grandes regiões brasileiras, com desvios mais expressivos em áreas do Centro-Oeste e do Sudeste.

Na Região Norte, as temperaturas devem ficar entre 0,4 °C e 1,5 °C acima da média em grande parte do território. No sudeste do Pará e na região central de Tocantins, os desvios podem alcançar 2 °C.

No Nordeste, o calor também deve predominar. No sul do Piauí e nas regiões central e oeste da Bahia, as temperaturas podem chegar a 2 °C acima da média. Próximo ao litoral, os desvios tendem a ser menores, entre 0,4 °C e 1 °C.

No Centro-Oeste, o noroeste de Mato Grosso e grande parte de Mato Grosso do Sul podem registrar temperaturas até 2 °C superiores à média histórica. Nas demais áreas da região, os desvios podem chegar a 1,5 °C.

No Sudeste, as temperaturas podem ficar até 2 °C acima da média em áreas centrais de Minas Gerais, no leste e centro-sul de São Paulo e no norte do Rio de Janeiro, próximo à divisa com o Espírito Santo.

Na Região Sul, a previsão aponta temperaturas entre 0,6 °C e 1,5 °C acima da média na maior parte do território. No extremo nordeste do Rio Grande do Sul e no norte do Paraná, os desvios podem alcançar 2 °C.

Produtores devem acompanhar as condições de campo

A previsão climática para novembro reforça a importância do planejamento das operações agrícolas durante a implantação da safra de verão 2026/27.

Nas áreas com chuvas abaixo da média, o principal cuidado será acompanhar a umidade do solo e as previsões de curto prazo antes de iniciar a semeadura, reduzindo os riscos de falhas na germinação e no estabelecimento das plantas.

Nas regiões com expectativa de precipitações acima da média, será necessário considerar as condições de trafegabilidade das áreas, o momento adequado para a entrada de máquinas e os riscos associados ao excesso de umidade.

O monitoramento também será importante para o manejo fitossanitário, especialmente em culturas suscetíveis a doenças favorecidas por condições quentes e úmidas.

Como se trata de uma previsão climática mensal, as condições podem variar entre municípios e ao longo das semanas. Por isso, o acompanhamento das atualizações meteorológicas e a avaliação das condições reais de cada propriedade são fundamentais para orientar as decisões no campo. (com Instituto Nacional de Meteorologia – INMET)

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