sexta-feira, março 6, 2026

Maracujá: enxertia visa melhorar sanidade e resistência ao clima

Uma parceria entre o IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) está testando uma alternativa para o cultivo do maracujazeiro amarelo ou azedo (Passiflora edulis f. flavicarpa): a enxertia com o maracujazinho do campo (P. actinia). O objetivo é aumentar a resistência da planta a doenças e adversidades climáticas, além de melhorar a produtividade.

De acordo com o professor do Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade da UFPR, Mauro Brasil, o maracujazeiro do campo foi escolhido para ser do porta-enxerto por ser um material rústico. “O maracujazeiro-do-campo é encontrado na natureza muito vigoroso resistindo a todas as adversidades biótica e abióticas, além disso é uma planta caducifólia (perde suas folhas durante o inverno para se proteger do frio), algo raro entre as passifloras. As matrizes que utilizamos para obter sementes desse material certamente têm 20 anos ou mais de idade e encontram-se viçosas sem receber qualquer manejo especial”, diz.

O enxerto (cultivar-copa) utilizado é o IPR Luz da Manhã, uma cultivar de maracujazeiro-amarelo do grupo azedo desenvolvida pelo IDR-Paraná e que apresenta boa produtividade e qualidade dos frutos. Porém, como qualquer planta desse grupo, trata-se de um material mais suscetível e melindroso em relação aos fatores externos, tanto é verdade que recentemente a cultura do maracujazeiro azedo tem se tornado anual numa tentativa de mitigar a pressão sob o seu sistema de cultivo.

As mudas foram produzidas pela UFPR por meio da enxertia hipoticoledonar e foram plantadas a campo em setembro de 2024 nos dois locais onde o experimento está sendo conduzido: na Estação de Pesquisa em Agroecologia (CPRA) do IDR-Paraná de Pinhais, em manejo orgânico; e na Unidade de Pesquisa em Morretes, com manejo convencional.

Mauro destaca que a diversidade climática entre as duas cidades influenciou na produção. “Em Morretes é muito mais quente e o maracujazeiro responde mais rápido. A safra de lá começou em novembro mantendo-se em bom nível até março. Já a de Pinhais começou em março e ainda estamos fazendo as últimas colheitas”, afirma.

O projeto ainda está na fase de coleta de dados, mas os resultados parciais já surpreendem. “Este é um experimento de longo prazo e, até agora, observamos bons resultados em termos de produção, produtividade e vigor das plantas, mesmo aqui na região metropolitana de Curitiba, que não é propícia ao maracujazeiro”, explica.

Outro ponto avaliado no experimento é o sistema de apoio no maracujazal, que além do sistema de apoio em espaldeira tradicional com um fio de arame onde o dossel produtivo é formado por uma cortina de ramos, adotou a formação de duas cortinas sustentado por três fios. Conforme o administrador da Estação de Pesquisa de Pinhais, Clóvis Roberto Hoffmann, esse sistema poderá dobrar a capacidade produtiva sem a necessidade de aumentar a área de cultivo devido a formação das duas cortinas.

Esse sistema também deve favorecer o incremento da taxa fotossintética da planta, que é a eficiência na absorção solar das folhas e conversão da energia luminosa em energia química, o que será importante para sustentar a maior produtividade proposta.

Os resultados do trabalho devem incentivar mais agricultores a investir no cultivo da fruta, ao tornar o sistema de cultivo proposta para o maracujazeiro azedo mais robusto e produtivo. Futuramente, a pesquisa poderá abrir caminho para outras avaliações e contribuir no melhor manejo da cultura, especialmente em relação à rusticidade das plantas. (AEN)

Foto: IDR-PR

Receba as informações do site diáriamente.

Mais do Canal do Agro

Governo regulamenta regras de salvaguardas em acordos comerciais

Medida protege indústria brasileira em caso de excesso de...

Senado aprova acordo entre Mercosul e União Europeia

Texto ratificado pelos parlamentares conclui tramitação no Congresso O Senado...

IAT aplicou quase R$ 170 mil em multas durante a piracema no PR

O Instituto Água e Terra (IAT) divulgou nesta quarta-feira...

Arroz tem leve alta em fevereiro com oferta restrita

O mercado de arroz em casca no Rio Grande...

Café arábica recua em fevereiro, mas segue em nível elevado

O preço médio do café arábica encerrou fevereiro no...

PF prende Daniel Vorcaro em 3ª fase da Operação Compliance Zero

A terceira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada...

Simental Brasileiro: genética adaptada à realidade do campo

Originária de uma das linhagens europeias mais difundidas no...