Wilka Feitosa e Beatriz Tomaz atuam em áreas de maioria masculina e contam como a curiosidade e a vontade de aprender as levaram até onde estão
No Dia Internacional da Mulher Rural, a Franciosi, uma das maiores produtoras e exportadoras de soja e algodão do país, apresenta a trajetória de duas profissionais que ocupam funções tradicionalmente masculinas: Wilka Feitosa, operadora de máquinas, e Beatriz de Araújo Tomaz, especialista em agricultura de precisão.
Do volante do caminhão ao trator
Filha de caminhoneiro, Wilka aprendeu a dirigir carro e caminhão aos 15 anos e sempre soube que queria trabalhar com máquinas. Natural de Araripina (PE), mudou-se para Barreiras (BA) em busca de estudo e emprego. Trabalhou na área administrativa e, aos 31 anos, passou a trabalhar com Segurança do Trabalho no agronegócio, onde orientava e fiscalizava equipes de lavouras compostas quase só por homens (cerca de 99%). Ali aprendeu a se posicionar com firmeza ao delegar tarefas e conduzir treinamentos.
“Mas o que eu queria mesmo era conhecer todas as máquinas do campo, aprender a operar aqueles tratores”, conta.
Ao ingressar na Franciosi, no início de 2026, Wilka manifestou o interesse em migrar para a Operação de Máquinas. O pedido foi atendido, e ela começou na nova função neste mês de outubro. Hoje, é a única mulher entre 180 profissionais que operam máquinas na empresa. São tratores que auxiliam no manejo do solo e no plantio, colheitadeiras e pulverizadores… a maioria de grande porte.
“Alguns homens estranharam, porque as máquinas são pesadas, mas não sofri nenhum preconceito. Pelo contrário, a equipe me respeita e me ajuda a aprender rápido”, diz. “Espero que outras mulheres que sonham em trabalhar com isso não tenham vergonha ou medo de tentar.”
Dados, satélites e drones
Beatriz também construiu sua carreira saindo da zona de conforto. Natural de Campina Grande (PB) e formada em Engenharia Agrícola, deixou a casa da família aos 24 anos para participar de um programa de trainee em mecanização agrícola em Mato Grosso. Sem experiência prévia no campo, precisou aprender a rotina das fazendas e se adaptar a um ambiente predominantemente masculino.
Boa de matemática e apaixonada por tecnologia, foi efetivada antes do fim do programa. Em seis meses, já atuava na área de agricultura digital de uma grande empresa em Mato Grosso, e foi ali que encontrou sua vocação: usar imagens de satélite e drones para avaliar as condições do solo e o controle de pragas nas lavouras.
“É a agricultura de precisão, que consegue detectar, por exemplo, problemas quase imperceptíveis em diversos pontos e gerar dados que ajudem a criar soluções para manter a qualidade da produção”, explica.
Há dois anos na Franciosi, Beatriz entrou como analista e logo foi promovida a especialista. Ela é a única mulher em uma equipe de nove pessoas.
“Aqui todos são muito acolhedores comigo, mas torço para que a equipe cresça com mais mulheres. Temos o mesmo nível de competência dos homens e somos atentas a detalhes, o que é fundamental na agricultura de precisão”, afirma.




Um setor que se amplia
As trajetórias de Wilka e Beatriz mostram que há espaço para mulheres em todas as etapas da produção agrícola, do manejo das máquinas à análise de dados. Para a Franciosi, a presença de mais profissionais como elas fortalece o setor e amplia o que o agro pode entregar ao país.
Fotos: Wilka Feitosa





