quinta-feira, outubro 22, 2026

Oferta limitada de mandioca impulsiona preços

Baixa rentabilidade das raízes de 1º ciclo e clima seco reduzem vendas; preços registram maior alta semanal desde 2021, enquanto processamento nas fecularias recua

A última semana foi marcada por oferta restrita de mandioca em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP). Segundo os pesquisadores, a escassez está diretamente ligada ao baixo interesse pela comercialização das raízes do 1º ciclo, que apresentam menor rentabilidade para os produtores. Além disso, o clima seco afetou diversos estados produtores, chegando a interromper o trabalho no campo em algumas áreas, o que contribuiu para a redução da oferta. Como consequência, os preços da mandioca mantiveram trajetória de alta, registrando a maior valorização semanal desde outubro de 2021.

Entre os dias 8 e 12 de setembro, a tonelada de mandioca posta nas fecularias teve preço médio de R$ 487,54, equivalente a R$ 0,8479 por grama de amido. O valor representa um avanço de 4,3% em relação à semana anterior e é o maior registrado em oito semanas. Segundo o Cepea, o processamento de mandioca nas fecularias foi estimado em 43,7 mil toneladas na última semana, queda de 8% frente à anterior. No acumulado da primeira quinzena de setembro, o volume processado está 20% inferior ao registrado no mesmo período de agosto.

A ociosidade industrial também aumentou, alcançando uma média de 60,8% da capacidade instalada. Os pesquisadores destacam que a redução da oferta e o aumento dos preços podem se prolongar caso o clima seco persista e a demanda continue firme. O mercado observa ainda que a mandioca do 2º ciclo, mais recente, apresenta melhores perspectivas de venda, mas ainda não substitui a menor disponibilidade do 1º ciclo. A valorização da raiz impacta diretamente a produção de fécula, utilizada na indústria alimentícia e em outros setores.

Produtores acompanham atentamente os preços, buscando planejar vendas que otimizem a rentabilidade diante da escassez de oferta. Analistas do Cepea ressaltam que ajustes na oferta podem ocorrer nas próximas semanas, dependendo da retomada das colheitas e das condições climáticas. (com Cepea)

Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN

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