sexta-feira, março 6, 2026

Plano Safra 2025/2026 tem recursos mais caros da história

O Plano Safra 2025/2026 anunciado nesta terça-feira (1/7) pelo Governo Federal vai ficar marcado pelas taxas de juros mais elevadas da história e pelo corte de recursos de apoio do Governo para equalizar os juros do crédito e para a subvenção ao Seguro Rural, ferramenta que protege agricultores das frustrações de safra.

As taxas de juros para custeio destinado aos produtores médios (Pronamp) subiram de 8% para 10% ao ano. Para os produtores de grande porte, o custeio passou de 12% para 14% para o mesmo período. No caso dos investimentos, produtores médios (Pronamp) terão juros que eram de 8% indo para uma faixa de 8,5% a 12,5% ao ano, enquanto os demais pagarão até 13,5% de juros.

Para o custeio da safra, o apoio do governo, que é o pagamento da diferença entre a taxa de juros de mercado e a taxa que o governo define para as linhas de crédito, seja de custeio e investimento, será de R$ 3,9 bi, 32% menor do que os R$ 5,6 bi do ano anterior. E com a taxa Selic fixada em 15%, o financiamento agrícola brasileiro será um dos mais caros do mundo.

O Seguro Rural não foi anunciado nesse Plano Safra. Mas o dinheiro que foi definido no orçamento de 2025, de R$ 1,06 bilhão, sofreu um bloqueio de 42% por parte do governo, o que significou R$ 445 milhões a menos para o Seguro Rural. De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Maurício Buffon, nunca se viu um Plano Safra tão aquém do que o setor esperava.

“Devido às frustrações de safra em várias regiões, o Brasil passa por um momento em que parte dos produtores está em um processo de endividamento e outros estão no limite. E uma das ferramentas que poderia evitar este processo e socorrer os produtores é o Seguro Rural. No entanto, o governo enxugou 42% desses recursos. É desastroso, quando olharmos isso mais adiante, veremos que o governo ao invés de sanear a questão, estará piorando”, declarou.

Segundo ele, num dos principais pilares da construção de uma safra, que é o investimento, reduziu-se o dinheiro a ser disponibilizado.

“Ou seja, teremos menos investimentos na agricultura. Num primeiro momento, quem paga essa conta é o produtor rural. Mas considerando uma safra menor, teremos menos oferta de alimentos nas gôndolas dos supermercados, o que fará com que a população arque com boa parte desses custos com a inflação de alimentos causada pela falta de investimentos do governo federal”, acrescentou.

Para o presidente da entidade, infelizmente o agricultor está colhendo o que o Governo plantou. “Com a falta de uma política fiscal mais ajustada à realidade do país, chegamos a esta Selic de 15%, reduzindo os recursos disponíveis e a eficiência da sua aplicação para apoiar a produção agropecuária”, concluiu.

Vinícius Tavares / Aprosoja Brasil

Foto: Aprosoja

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