Os preços do milho registraram forte recuo no mercado brasileiro na última semana, pressionados pelo aumento da oferta e por uma postura mais firme dos compradores. O movimento foi intensificado pela desvalorização do dólar frente ao real, fator que reduz a competitividade do cereal brasileiro no mercado externo e impacta diretamente as cotações internas.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, a combinação entre maior disponibilidade do grão e câmbio desfavorável às exportações contribuiu para o enfraquecimento dos preços no mercado spot. Na parcial de abril, até o dia 16, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, referência em Campinas, acumula queda expressiva de 4,8%, retornando aos níveis observados em janeiro deste ano.
No Paraná, um dos principais estados produtores, a pressão de baixa também se refletiu nos valores regionais. A saca de milho passou a ser negociada, em média, a R$ 52, evidenciando o impacto direto do avanço da oferta e do comportamento mais cauteloso da demanda.
Nesse cenário, consumidores seguem cautelosos e atuam de forma pontual, priorizando compras apenas quando há necessidade imediata de recomposição de estoques ou quando encontram oportunidades em patamares mais baixos. A estratégia reflete a expectativa de continuidade da pressão baixista no curto prazo.
Entre os fatores monitorados pelo mercado estão o avanço da colheita da safra de verão, as condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da segunda safra e a trajetória do dólar, que segue em queda e reduz a paridade de exportação.
Do lado dos vendedores, há maior flexibilidade nas negociações, mas ainda persiste dificuldade para a comercialização de volumes mais elevados. O descompasso entre oferta e demanda, aliado ao comportamento seletivo dos compradores, mantém o ritmo dos negócios limitado. (com Cepea)
Milho em Chicago abre com variações mistas
Os contratos futuros do milho iniciam o dia com variações mistas na Bolsa de Chicago, refletindo um mercado ainda em compasso de espera por novos direcionadores.
- Maio/2026: US$ 4,48/bu (-0,25)
- Julho/2026: US$ 4,57/bu (+0,25)
- Setembro/2026: US$ 4,61/bu (0,00)
- Dezembro/2026: US$ 4,77/bu (0,00)
O comportamento lateral indica cautela dos investidores, que monitoram fatores como clima nas regiões produtoras, ritmo da demanda e movimentações no mercado externo.
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