sexta-feira, março 6, 2026

Produção de etanol do sorgo ganha força no Brasil

Com a crescente demanda por biocombustíveis, o cereal torna-se uma opção eficiente e rentável como alternativa às usinas, principalmente no Centro-Oeste, que já possuem estrutura de esmagamento para o milho

De acordo com os dados do Anuário de 2024 divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção de biocombustíveis no Brasil atingiu um marco histórico, refletindo o crescimento robusto no setor e a diversificação das fontes de energia renováveis. Juntos, etanol e biodiesel somaram quase 43 bilhões de litros. Com esse recorde, o país ganha protagonismo no cenário global na produção e uso de combustíveis renováveis, e na redução das emissões de gases de efeito estufa.

A diversificação de matéria prima na produção dos biocombustíveis é outro diferencial da agroindústria brasileira. Além do uso de insumos já consolidados como cana-de-açúcar e do milho, as usinas voltam o olhar também para outros cereais, com destaque para o sorgo. “O primeiro ponto a destacar é que o rendimento desse grão é semelhante ao do milho na produção de etanol. Entretanto, por ser mais barato, torna-se uma opção interessante para a indústria economicamente falando, pois, o custo final será menor”, explica Ana Scavone, engenheira agrônoma e líder de desenvolvimento de novos negócios da Advanta Seeds.

A única desvantagem para a indústria de biocombustíveis é que diferentemente do milho, o sorgo não produz o óleo em seu processo de extração e deixa de ter esse valor agregado. Porém, segundo a engenheira agrônoma, há muitas pesquisas avançadas focadas no tema. “O sorgo não gera o óleo após a produção de etanol, porém do farelo resultante, forma-se o DDG, um composto proteico muito rico que pode ser destinado à alimentação animal de bois, aves e suínos. É uma cultura que aos poucos ganha seu espaço e deixa de ser apenas uma oportunidade para ser protagonista com boa rentabilidade”, reforçou.

Por ser considerada uma cultura versátil, o sorgo oferece uma série de outros benefícios. De acordo com a especialista, a planta é mais tolerante a condições de alta temperatura e escassez hídrica se comparada com o milho, devido a suas características biológicas, como alta capacidade de desenvolvimento radicular e cerosidade nas folhas e colmo, diminuindo a transpiração. Somado a isso, é uma opção de cultivo para diversificar a produção gerando mais uma fonte extra de renda às fazendas.

Avanços tecnológicos

Com o crescimento das áreas plantadas nas últimas safras, o Brasil já se tornou o terceiro maior produtor mundial de sorgo, e não devemos parar por aí, pois é uma cultura que pode ganhar mais espaço, principalmente por ser uma excelente opção aos produtores diante das estreitas janelas de plantio do milho. O cultivo do grão como uma segunda safra, por exemplo, pode gerar uma rentabilidade superior, em relação a outros modelos tradicionais praticados atualmente. “Pesquisas comprovam que se aplicarmos no sorgo os mesmos investimentos que você faz no milho, o resultado será uma rentabilidade igual ou superior, a depender da janela de plantio”, destacou Ana.

Esse bom desempenho só é possível graças a tecnologias como o sorgo Igrowth da Advanta Seeds, uma inovação que proporciona diversos benefícios, como controle de plantas daninhas de folhas estreitas, deixando a lavoura no limpo durante o ciclo e no pós-colheita, beneficiando o desenvolvimento da cultura subsequente. “Hoje a empresa vem quebrando paradigmas mostrando o quanto essa cultura quando bem manejada tem grande potencial produtivo trazendo benefícios e economia aos produtores”, reforçou a engenheira agrônoma.

A especialista destaca ainda que as usinas também já visualizam os benefícios do sorgo para a produção de biocombustíveis. “O etanol de milho já é algo consolidado no Brasil e as agroindústrias precisam fazer poucas modificações nas máquinas para poder esmagar também o sorgo. Já existem três unidades que foram projetadas adaptando esse modelo híbrido, uma em Sidrolândia, Mato Grosso do Sul, outra em Balsas, Maranhão e uma terceira no Vale do Araguaia, no Mato Grosso, que está próxima de ser finalizada. E esse é só o começo”, finaliza a líder de desenvolvimento de novos negócios da Advanta Seeds. (Divulgação)

Foto: Divulgação Advanta

Receba as informações do site diáriamente.

Mais do Canal do Agro

Governo regulamenta regras de salvaguardas em acordos comerciais

Medida protege indústria brasileira em caso de excesso de...

Senado aprova acordo entre Mercosul e União Europeia

Texto ratificado pelos parlamentares conclui tramitação no Congresso O Senado...

IAT aplicou quase R$ 170 mil em multas durante a piracema no PR

O Instituto Água e Terra (IAT) divulgou nesta quarta-feira...

Arroz tem leve alta em fevereiro com oferta restrita

O mercado de arroz em casca no Rio Grande...

Café arábica recua em fevereiro, mas segue em nível elevado

O preço médio do café arábica encerrou fevereiro no...

PF prende Daniel Vorcaro em 3ª fase da Operação Compliance Zero

A terceira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada...

Simental Brasileiro: genética adaptada à realidade do campo

Originária de uma das linhagens europeias mais difundidas no...