terça-feira, julho 14, 2026

Projeto inédito visa melhorar genética de animais meio-sangue angus

O estudo, que é uma das primeiras iniciativas desde que a entidade se tornou Instituição Científica Tecnológica (ICT), em 2026, resultará na criação novas Diferenças Esperada na Progênie (DEPs), como, por exemplo, de maciez

A Associação Brasileira de Angus lidera um projeto inédito no Brasil ao integrar dados genéticos, análises de carne e modelos preditivos exclusivamente para animais meio-sangue. Como resultados práticos, o trabalho permitirá a identificação de touros da raça Angus com mais chances de transmitir características de qualidade de carne no cruzamento com vacas de outras raças, como Nelore. O estudo, que é uma das primeiras iniciativas desde que a entidade se tornou Instituição Científica Tecnológica (ICT), em 2026, resultará na criação novas Diferenças Esperada na Progênie (DEPs), como, por exemplo, de maciez. 

Para viabilizar a iniciativa, o projeto conta com a colaboração de parceiras executoras de grande peso institucional e científico, como a Embrapa Pecuária Sul. A etapa de campo terá início no dia 14 de julho. A meta inicial, que já possui orçamento garantido, é realizar a coleta de seis mil amostras genéticas de fêmeas meio-sangue, que passarão pela certificação rigorosa do Programa Carne Angus Certificada. 

Para isso, a equipe desenvolveu um protocolo inédito de coleta utilizando a tecnologia TSU para extrair amostras de tecido muscular diretamente das carcaças resfriadas, adaptando uma técnica que até então era restrita à coleta de cartilagem de orelha. “O grande diferencial dessa pesquisa é a construção da primeira população de referência nacional focada em animais meio-sangue”, explica Carolina Silveira, assistente de fomento e coordenadora da ICT da Associação. 

Atualmente, as avaliações genéticas voltadas para características de carcaça, como marmoreio e área de olho de lombo, são calculadas tendo como base o rebanho de raça pura e através, unicamente, das medidas realizadas por ultrassonografia de carcaça. Ao vincular os dados fenotípicos obtidos no frigorífico com as informações genéticas coletadas, a Associação Brasileira de Angus, em parceria com a Embrapa, gerará modelos estatísticos preditivos específicos para o cruzamento industrial. Na prática, isso resultará em uma lista atualizada de touros superiores, garantindo ao produtor rural maior segurança e eficiência econômica na escolha da genética. 

Além dos expressivos ganhos em rentabilidade para o pecuarista, a genética de precisão consolida-se como um forte motor de sustentabilidade. Animais com mérito genético superior convertem melhor os insumos e atingem o peso de abate em menos tempo. O encurtamento do ciclo produtivo reduz a emissão de gases de efeito estufa por animal e otimiza o uso de recursos naturais, como água e pastagens. Com esses avanços, o projeto atende a seis Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU — ODS 2, 8, 9, 12, 13 e 15 — e alinha a pecuária brasileira às exigências climáticas globais debatidas na COP 30, firmando o Brasil como referência em carne sustentável e rastreável. 

Possibilidades futuras 

Embora o escopo imediato foque na avaliação visual fenotípica atrelada à genética, o projeto prevê metas complementares para fases futuras. Com a busca contínua por financiamentos externos, como recursos da FINEP, a Associação planeja expandir as coletas totais para 10 mil animais e realizar análises físico-químicas em três mil amostras de carne. Essas análises laboratoriais avaliarão critérios detalhados como extrato etéreo (teor de gordura), pH, colorimetria e força de cisalhamento (shear force), dados que serão essenciais para consolidar a criação de novas predições genéticas, como a inédita DEP voltada exclusivamente para a maciez da carne.

Foto: Gabriel-Olivera_Agencia-El-Campo-Cab-Sao-Xavier

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