quinta-feira, março 12, 2026

Safra de café do Brasil pode atingir 75,3 milhões de sacas em 2026/27

Nova revisão após visitas de campo indica alta de 20,8% frente à temporada anterior e recorde histórico para o arábica, com 50,2 milhões de sacas

A produção de café do Brasil na safra 2026/27 pode alcançar 75,3 milhões de sacas, segundo a primeira revisão da estimativa divulgada pela StoneX, empresa global de serviços financeiros, após novas visitas de campo realizadas entre janeiro e março nas principais regiões produtoras do país.

O volume representa um aumento de 6,5% em relação à projeção preliminar de novembro, quando a consultoria estimava 70,7 milhões de sacas, além de uma alta de 20,8% frente à temporada anterior.

Logo após o período de florada, em novembro, a StoneX já havia indicado a possibilidade de uma safra recorde. No entanto, a equipe retornou a campo para atualizar o cenário produtivo com base em avaliações mais detalhadas das lavouras.

“Depois da estimativa preliminar divulgada em novembro, voltamos a campo para avaliar com mais precisão as condições das lavouras. Apesar das instabilidades climáticas registradas no início do ciclo, observamos uma recuperação importante das plantas, favorecida pela melhora das chuvas, pela boa umidade no solo e por temperaturas mais amenas”, ressalta Leonardo Rossetti, especialista em Inteligência de Mercado da StoneX.

Segundo João Pena, técnico de pesquisa de campo da StoneX, o pegamento da florada acabou sendo melhor do que o inicialmente observado pela equipe técnica. “De fato houve alguns problemas no início do ciclo, com irregularidade de chuvas e episódios de abortamento de flores. Mas, no retorno a campo, verificamos que o pegamento foi superior ao esperado, o que contribuiu para a revisão positiva da produção”, explica Pena.

Arábica pode atingir recorde histórico

Para o café arábica, a StoneX projeta produção de 50,2 milhões de sacas, o que representaria um recorde absoluto. Embora algumas lavouras ainda não estejam em condições ideais, praticamente todas as principais regiões apresentaram melhora desde a última avaliação.

Entre os destaques estão Sul de Minas, Matas de Minas, Cerrado Mineiro e São Paulo, que devem registrar crescimento significativo na produção da próxima colheita.

A recuperação ocorre após anos em que o potencial produtivo das lavouras de arábica foi limitado por condições climáticas adversas, incluindo os impactos mais severos observados na safra 2025/26.

“Mesmo que algumas regiões ainda apresentem produtividades abaixo do potencial máximo, a safra 2026/27 mostra uma recuperação relevante em relação ao ciclo anterior”, destaca Rossetti.

Robusta mantém base de crescimento da produção

No caso do café robusta (conilon), a StoneX elevou sua estimativa para 25,1 milhões de sacas. Embora o volume fique 2,8% abaixo do recorde registrado no ano passado, ainda representa um patamar elevado para a cultura.

As projeções para Espírito Santo e Bahia foram revisadas ligeiramente para cima, mas permanecem abaixo dos níveis observados na temporada passada, movimento já esperado após a supersafra anterior.

A principal surpresa positiva veio de Rondônia, onde a produção deve crescer cerca de 66% em relação à safra passada.

Tecnologia, novas áreas e preços sustentam crescimento

De acordo com a StoneX, o avanço da produção brasileira está ligado a fatores estruturais que vêm se consolidando nos últimos anos, como a expansão da área cultivada, a entrada de novas lavouras em produção e o uso crescente de tecnologias e materiais genéticos mais produtivos, especialmente no caso do robusta.

Além disso, os preços elevados do café no mercado contribuíram para que produtores mantivessem níveis adequados de adubação e manejo das lavouras.

“O conjunto formado por expansão de área, avanço tecnológico e renovação do parque cafeeiro tem impulsionado o crescimento da produção brasileira. Mesmo com diferenças regionais de produtividade, esses fatores estruturais ajudam a sustentar um cenário positivo para a safra”, discorre Pena.

A StoneX destaca ainda que continuará monitorando o desenvolvimento das lavouras ao longo da temporada. Novos ajustes nas estimativas poderão ser realizados após as avaliações de rendimento previstas para o final da colheita de arábica e robusta. (Divulgação)

Foto: Divulgação

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