O mercado de seguro rural registrou retração em 2025, interrompendo um ciclo de expansão observado nos anos anteriores e acendendo um alerta sobre os mecanismos de proteção financeira disponíveis para o agro brasileiro.
Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que a arrecadação do segmento caiu 8,8% no último ano, passando de R$ 14,2 bilhões em 2024 para R$ 12,9 bilhões em 2025. A queda ocorre em um contexto de redução de recursos destinados à subvenção ao prêmio do seguro rural e de maior cautela por parte dos produtores diante do aumento do custo das apólices.
Esse cenário ajuda a explicar por que a proteção financeira no campo ganhou importância nas discussões do setor. O tema estará no centro do “Diálogo Setorial: Seguros, Crédito e Agronegócio. Proteção rural e novos instrumentos de financiamento”, que será realizado no dia 8 de abril, em Brasília.
A retração contrasta com a trajetória de crescimento observada entre 2021 e 2024. Nesse período, a arrecadação passou de R$ 9,6 bi em 2021 para R$ 13,4 bi em 2022, R$ 14 bi em 2023 e R$ 14,2 bi em 2024. A queda registrada em 2025 interrompe esse ciclo e sugere desaceleração na demanda por cobertura securitária rural.
A combinação entre a perda na arrecadação e a estabilidade das indenizações reforça a percepção de que parte dos produtores pode estar ficando mais exposta aos riscos climáticos e de produtividade, justamente em um cenário de maior frequência de eventos extremos. Especialistas apontam que a redução da contratação de seguros pode ampliar a vulnerabilidade financeira das cadeias produtivas.
Diálogo Setorial: Seguros, Crédito e Agronegócio
O primeiro painel do evento, intitulado “Novos instrumentos de financiamento como mecanismos que impulsionam o crescimento e a sustentabilidade do agronegócio”, discutirá alternativas para ampliar e diversificar as fontes de recursos destinadas ao setor. O objetivo é avaliar soluções capazes de estimular investimentos em tecnologia, modernização da infraestrutura e práticas produtivas mais sustentáveis.
Participam do debate:
- Fabiana Perobelli, Client Relationship – Brokers and Agribusiness Companies da B3
- Marcelo Porteiro, superintendente da Área Agropecuária e de Inclusão Social do BNDES
- João Rabelo, diretor de Novos Negócios do IRB Re
- Octaciano Neto, sócio-fundador da Zera.Ag
A moderação será conduzida por Gláucio Nogueira Toyama, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação de Seguros Gerais (FenSeg).
Na sequência, o segundo painel “Destravando o seguro rural no Brasil: inovação e resiliência climática” abordará os desafios estruturais do seguro rural no país e as possibilidades abertas pela transformação digital e pelo uso de novas tecnologias no monitoramento e gestão de riscos. O debate reunirá:
- Bruno Alves, diretor de Tecnologia, Portfólio, Soluções Digitais e Analytics da BB Seguros
- Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA)
- Tania Zanella, presidente do Instituto Pensar Agropecuária
- Monica Sodré, CEO da Meridiana
A moderação será feita por Renato Buranello, vice-presidente da ABAG.
Promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), o encontro reunirá autoridades públicas, especialistas e representantes do mercado financeiro para discutir caminhos que ampliem o acesso a recursos e reforcem a proteção do produtor rural diante de novos riscos econômicos e climáticos. (Divulgação)
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