A área mundial semeada com soja cresceu pela quarta temporada seguida, gerando expectativas de novo recorde de oferta na safra 2023/24, segundo publicação do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Desde a temporada 2019/20, a área global cresceu 12,6% e a produtividade, 4%, segundo dados do USDA. Com isso, a produção mundial deu um salto de 16,8%. A demanda também segue avançando, mas em ritmo inferior à oferta: em quatro anos-safras, o consumo total de soja cresceu 6,7%.
Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário pode limitar variações positivas de preços no curto prazo. Vale lembrar que as estimativas do departamento de agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a temporada 2023/24 ainda devem passar por ajustes e que os dados apontados pelo departamento estão acima dos estimados por consultorias privadas. No Brasil, a colheita já está em andamento, mesmo que em ritmo lento, mas os impactos do El Niño sobre a produção começam a ser evidenciados. Diante disso, muitos agentes acreditam em reajustes negativos nos dados de produção do USDA nos próximos relatórios.
No Brasil, com certeza, o clima deve influenciar de forma negativa na produtividade das lavouras. Na região Sul, onde até então as chuvas estavam regulares até a última semana de dezembro, o clima mudou e para pior, como explica o agricultor Idelfonso Ausec, de Doutor Camargo (PR). “A safra de soja está derretendo com o calor de 38ºC. Estimativas de perdas passando já dos 20% na região. Vai ser mais sério do que imaginávamos”, estimou.
Previsão – De acordo com o Instituto Simepar, chuvas mais consistentes devem atingir a região Noroeste do Paraná a partir de quinta-feira (11). (com Cepea)
Foto: Idelfonso Ausec




