sexta-feira, setembro 25, 2026

Suíno fica abaixo do custo de produção no Paraná

A alimentação continua sendo o principal componente do custo da suinocultura, respondendo por 70,64% do total

A suinocultura paranaense encerrou agosto com aumento no custo de produção e queda no preço recebido pelos produtores. Os dados fazem parte do Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, divulgado em 24 de setembro. De acordo com a Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), da Embrapa Suínos e Aves, o custo de produção do suíno vivo no Paraná chegou a R$ 5,96 por quilo em agosto. O valor representa alta de 2,58% em relação a julho, quando estava em R$ 5,81.

Na comparação com agosto de 2025, quando o custo era de R$ 5,73 por quilo, o aumento foi de 4,01%. O Índice de Custos de Produção de Suínos (ICPSuíno) alcançou 363,13 pontos em agosto, alta de 0,96% sobre julho. Apesar do avanço mensal, o indicador acumula queda de 2,04% em 2026. Entre os principais aumentos de custos em agosto estão energia elétrica, calefação e cama, com alta de 8,32%, capital, com 2,91%, e nutrição, com 0,98%. A genética teve redução de 1,34%, enquanto transporte, sanidade e mão de obra permaneceram estáveis.

Alimentação pesa no custo

A alimentação continua sendo o principal componente do custo da suinocultura no Paraná, respondendo por 70,64% do custo total. Em agosto, o gasto com alimentação chegou a R$ 4,21 por quilo, alta de 3,44% em relação aos R$ 4,07 registrados em julho. No mesmo mês de 2025, o custo era de R$ 3,93 por quilo.

No ICPSuíno, a nutrição representa 72,53% do índice. Apesar da retração de 0,85% no acumulado do ano, o componente acumula alta de 4,29% nos últimos 12 meses.

Produtor recebe menos

Enquanto os custos aumentaram, o preço pago pelo suíno vivo caiu no Paraná. Em agosto, o preço nominal médio estadual ficou em R$ 5,31 por quilo, uma redução de 4,15% em relação a julho, quando estava em R$ 5,54.

A diferença é ainda maior na comparação anual. Em agosto de 2025, o produtor recebia, em média, R$ 7,05 por quilo. Em um ano, a queda chegou a 24,68%, equivalente a R$ 1,74 por quilo.

Com o custo de produção em R$ 5,96 e o preço médio recebido em R$ 5,31, o produtor paranaense teve, em agosto, uma diferença negativa de R$ 0,65 por quilo. A remuneração ficou 10,91% abaixo do custo de produção.

A trajetória ao longo de 2026 também mostra a perda de valor. Em janeiro, o suíno vivo era comercializado, em média, por R$ 6,94 por quilo. Em agosto, o valor caiu para R$ 5,31, uma retração de 23,49%.

Oferta maior pressiona mercado

O cenário também é influenciado pelo aumento da oferta de animais para abate. Segundo dados do IBGE, foram abatidos 15,70 milhões de suínos no Brasil no segundo trimestre de 2026, alta de 4% em relação ao mesmo período de 2025 e de 2,6% na comparação com o primeiro trimestre deste ano.

O Deral também aponta fatores como o ritmo mais lento do consumo interno de carne suína, a concorrência com a carne de frango, o elevado endividamento das famílias e dificuldades de escoamento de produtos processados.

Em agosto, portanto, a suinocultura paranaense enfrentou uma combinação desfavorável: o custo de produção subiu, enquanto o preço recebido pelo produtor caiu. A diferença entre os dois indicadores aumenta a pressão sobre as margens e reforça a necessidade de recuperação da rentabilidade da atividade.

Foto: Divulgação Governo Federal

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