quarta-feira, outubro 21, 2026

Tensões entre EUA e Irã pressionam preços da ureia no mercado global 

De acordo com a StoneX, alta nas cotações reflete riscos geopolíticos no Oriente Médio e incertezas sobre tarifas comerciais dos Estados Unidos

A escalada das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã provocou alta nos preços futuros da ureia no mercado internacional na última semana, segundo análise do relatório semanal de fertilizantes da StoneX, empresa global de serviços financeiros.

Entre os dias 12 e 16 de janeiro, as cotações futuras da ureia nos Estados Unidos avançaram cerca de US$ 15, considerando o contrato com vencimento em fevereiro de 2026, negociado em Nova Orleans.

No Brasil, a valorização foi mais moderada, mas ainda assim as cotações futuras também registraram leve alta, refletindo o ambiente de maior incerteza no mercado global de nitrogenados.

De acordo com o analista de Inteligência de Mercado, Tomás Pernías, o movimento foi impulsionado principalmente por dois fatores. “A intensificação das tensões entre EUA e Irã elevou o risco percebido de um novo conflito no Oriente Médio, região estratégica para a produção e exportação de fertilizantes nitrogenados. Esse cenário gera preocupação quanto à continuidade da produção e ao escoamento das cargas”, explica.

Além do risco geopolítico, o mercado reagiu às declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que cogitou a imposição de uma tarifa de 25% sobre importações realizadas pelos EUA de países que mantêm relações comerciais com o Irã. “A possibilidade de uma tarifa desse porte aumentou a volatilidade e deixou investidores em alerta, avaliando os potenciais impactos sobre a oferta global de ureia”, acrescenta Pernías.

Segundo dados de 2024, o Irã foi o segundo maior exportador mundial de ureia, atrás apenas da Rússia. Juntos, os dois países responderam por cerca de 30% das exportações globais do produto, o que ajuda a explicar a sensibilidade do mercado a qualquer ameaça envolvendo a oferta iraniana.

Entre os principais destinos da ureia produzida no Irã estão países como Turquia, Índia e Tailândia. Em um cenário de redução das exportações iranianas, esses mercados tenderiam a ser os primeiros impactados. “No entanto, como o Irã tem papel relevante no comércio global, qualquer restrição em sua oferta tende a apertar o balanço mundial e pressionar os preços em diferentes regiões”, avalia o analista da StoneX.

Volume das importações brasileiras é pouco expressivo, mas cenário pode impactar preços

No caso do Brasil, os dados oficiais do Comex Stat indicam que as importações diretas de ureia iraniana em 2025 somaram pouco mais de 180 mil toneladas, volume considerado pouco expressivo frente às compras realizadas de outros fornecedores, como Nigéria e Omã. Ainda assim, fontes não oficiais apontam que o volume efetivo de ureia de origem iraniana que chega ao país pode ultrapassar 1 milhão de toneladas ao ano, o equivalente a mais de 15% das importações brasileiras, por meio de triangulações comerciais.

“Mesmo que o Brasil não seja diretamente dependente da ureia iraniana, qualquer choque na oferta global acaba refletindo nos preços internos, sobretudo em um mercado altamente integrado como o de fertilizantes”, conclui Pernías.

A partir do dia 27, estará disponível para download, de forma gratuita, o Relatório de perspectivas para Commodities 2026 da Stonex, que traz análises aprofundadas de commodities agrícolas, energéticas, metálicas, moedas e clima. (Divulgação)

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