Calor e excesso de chuva derrubam produtividade do cereal no estado, que deve colher 2,13 milhões de toneladas
A previsão para a safra de trigo do Paraná foi revisada para baixo pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). O principal motivo é a combinação de temperaturas acima da média e excesso de chuvas registrados em agosto e setembro, período decisivo para o desenvolvimento das lavouras.
A produtividade esperada, que inicialmente estava estimada em aproximadamente 54 sacas por hectare, foi reduzida para 49 sacas por hectare. Com uma área cultivada estimada em 727 mil hectares, a produção paranaense deve alcançar cerca de 2,13 milhões de toneladas. Em condições consideradas normais de produtividade, a expectativa seria de aproximadamente 2,37 milhões de toneladas.
A diferença representa uma redução de cerca de 10% no volume esperado. A colheita avança no Estado com relatos de perda de qualidade de algumas lavouras por conta do excesso de chuva.
Menor oferta sustenta preços do trigo
A queda na produção ocorre em um momento de valorização das cotações internacionais do trigo. Com menor disponibilidade do cereal no Paraná, os preços permanecem acima dos níveis registrados durante a entressafra, mesmo com a colheita já avançando no estado.
O Paraná é atualmente o segundo maior produtor de trigo do Brasil. Quase metade da área paranaense já foi colhida, mas a oferta de trigo de qualidade preocupa o setor, especialmente a indústria moageira. A saca do Trigo Pão PH 78 está sendo negociada ao preço médio de R$ 79,00.
Para os produtores, a sustentação das cotações ajuda a compensar parte das perdas provocadas pela redução da produtividade. Para os moinhos, porém, o cenário é diferente.
Moinhos podem buscar trigo fora do Paraná
A menor disponibilidade de trigo no mercado paranaense deve obrigar os moinhos a ampliar a busca por matéria-prima em outras regiões.
O Rio Grande do Sul aparece como principal alternativa dentro do mercado brasileiro, já que a produção prevista no estado tende a superar a demanda local. Caso essa oferta não seja suficiente, o Paraná poderá aumentar as compras de trigo de países vizinhos, principalmente Paraguai e Argentina.
A movimentação é relevante para o mercado de farinha. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), o Paraná respondeu, em 2025, por cerca de 30% da produção nacional de farinhas.
Paraná influencia atualização das estimativas nacionais
Os levantamentos realizados pelo Deral durante a colheita paranaense também são utilizados como referência para as atualizações das projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Apesar da revisão no Paraná, a estimativa nacional não deve sofrer mudanças expressivas neste momento. Os números mais recentes divulgados pela Conab já consideram uma projeção alinhada à atualização realizada pelo Deral.
As próximas alterações na produção brasileira dependerão principalmente do desempenho de outros estados produtores, especialmente o Rio Grande do Sul, que mantém a liderança nacional na produção de trigo.
Para o Brasil, a estimativa atual é de aproximadamente 5,7 milhões de toneladas, volume 27% inferior ao registrado na safra anterior.
Impactos no mercado
A redução da produção paranaense coloca o trigo entre os produtos que exigem atenção no mercado agrícola nas próximas semanas. Menor oferta, preços internacionais mais firmes e necessidade de importação podem aumentar a pressão sobre os custos da indústria moageira e, consequentemente, sobre a cadeia de produção de farinha e derivados.
com informações do Deral/Seab-PR e Abitrigo




