Os preços do trigo voltaram a recuar nos últimos dias, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). A queda reflete o avanço da colheita da nova safra, principalmente no Paraná – maior produtor do país – e também a desvalorização do dólar frente ao real, que reduz a competitividade do cereal nacional frente ao importado.
Com a colheita em ritmo acelerado, produtores têm aumentado a oferta no mercado spot. Do outro lado, compradores seguem mais cautelosos, alegando já estar abastecidos com o trigo importado adquirido nos meses anteriores. No relatório de setembro, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) revisou para baixo a estimativa de produção brasileira. A projeção agora é de 7,54 milhões de toneladas, 3,5% abaixo do cálculo de agosto e 4,5% menor que o volume colhido em 2024 – o menor patamar desde 2020.
A área plantada foi reduzida para 2,45 milhões de hectares, queda de 3,8% na comparação mensal e quase 20% inferior ao ciclo anterior. Mesmo com um pequeno avanço de 0,3% na produtividade, para 3,08 toneladas por hectare, o ganho não é suficiente para neutralizar a redução de área. Segundo pesquisadores do Cepea, esse movimento deve manter os preços pressionados no curto prazo, até que o mercado absorva o volume da nova safra. (com Cepea)
Foto: Gilson Abreu/AEN




