Em trajetória de alta, o preço do trigo em grão voltou, em março, aos mesmos níveis observados em outubro do ano passado nos estados da região Sul do Brasil. Em praças monitoradas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP), como em São Paulo, as cotações já atingem os maiores patamares dos últimos seis meses. Esse avanço está diretamente ligado à valorização do cereal no mercado internacional, à alta do dólar frente ao real e às expectativas de redução da área plantada e da produção na próxima safra nacional.
Apesar da recuperação recente, o cenário ainda é desafiador para o produtor. No Paraná, por exemplo, o preço da saca gira em torno de R$ 65,00, patamar considerado baixo e, em muitos casos, insuficiente para cobrir os custos de produção. Essa relação desfavorável entre preço e custo deve influenciar diretamente as decisões de plantio. Diante desse contexto, a tendência é de redução significativa na área destinada ao trigo na próxima safra. No Paraná, um dos principais estados produtores, muitos agricultores já sinalizam a migração para culturas mais rentáveis, como o milho e a cevada (ceva), o que pode diminuir a oferta futura do cereal no mercado interno.
Nesse cenário, pesquisadores do Cepea destacam que produtores têm restringido a oferta no mercado spot, apostando em possíveis valorizações nos próximos meses. Além disso, há a expectativa de maior demanda por parte das moageiras durante o período de entressafra, quando será necessária a recomposição de estoques, fator que pode dar sustentação adicional aos preços. (com Cepea)
Foto: Cleber França




