sexta-feira, setembro 11, 2026

Valorização da arroba e insumos favoráveis abrem janela de oportunidade para intensificar terminação no pasto

Doutor em sistema intensivo de produção de bovinos analisa que suplementação estratégica e adoção da Terminação Intensiva a Pasto (TIP) são trunfos para otimizar a relação de troca

No final do mês de agosto, ocorreu uma maior procura pelos contratos de boi gordo na B3 – Bolsa de Valores do Mercado Futuro, deste ano de 2026. Este fato ocorre em um momento em que o valor esperado da arroba renovou a máxima para os vencimentos a partir de outubro. Com a arroba do boi gordo em trajetória de alta — saindo de uma média de R$ 345,92 em agosto para estimativas em torno de R$ 372,50 em novembro. Neste cenário, o pecuarista brasileiro se depara com perspectivas otimistas: entre os contratos negociados, fevereiro/ 2027 despontou como o vencimento de maior preço na curva, cotado a R$ 376,75 por arroba.

De acordo com o zootecnista e doutor em nutrição de Bovinos, André Alves de Oliveira, o cenário positivo sugere ao pecuarista um planejamento tático da porteira para dentro, com o olhar para além das oscilações e especulações de mercado. Como os animais destinados à terminação no ciclo atual foram adquiridos a preços mais baixos, quando comparado aos valores de reposição atual, é um fato que o produtor venderá o boi gordo por um valor superior, com a alta da arroba do boi. No entanto, para garantir margem real de lucro, a grande chave estratégica está em melhorar a relação de troca, entregando um animal mais pesado ao abate, uma vez que o preço da reposição acompanha a alta do boi gordo. “Independentemente da arroba atingir ou não novos patamares especulativos, o fato concreto é que o produtor está num excelente momento para agregar peso à carcaça. Como a etapa da terminação é o maior custo em todo o ciclo produtivo, uma recria intensiva no cenário atual é vantajoso. A relação de troca da arroba do boi gordo por milho é umas das maiores nos últimos anos, fechando em Agosto 5,17 sacas/@. Contudo, a perspectiva é uma piora nessa relação chegando a 4,54 sacas/@ em março/27. Adicionalmente, podemos passar por aumento no preço da reposição, acompanhando a arroba do boi gordo”, diz o especialista. Essas variáveis sinalizam que um maior nível de suplementação no momento atual, para aumentar ganho de peso na recria, é estratégico no objetivo de abater animais mais pesados, conseguir uma melhor relação de troca na reposição, sem aumentar significativamente o período de terminação e elevando custos nessa fase. “Chegar com animais mais pesados na terminação com um nível de suplementação maior na recria é a estratégia mais rentável para repor um garrote mais caro“, destaca André, gerente técnico de gado de corte da Trouw Nutrition Brasil.

Dentre as soluções de nutrição para o período de terminação, Oliveira recomenda o Confinamento Expresso, marca registrada da Bellman | Trouw Nutrition, para a Terminação Intensiva a Pasto (TIP). Lançada no mercado pela Bellman e hoje largamente difundida, essa modalidade de terminação proporciona bom ganho de peso aos animais no pasto, sem a necessidade de utilização de altos recursos em estrutura, como dos confinamentos convencionais, tornando a técnica democrática para diferentes perfis de produtores rurais. Consiste em fornecer entre 1,5% a 2% do peso vivo do animal em ração (cerca de 8 a 12kg/cabeça/dia no cocho a pasto), dos quais 70% a 85% do consumo de matéria seca do animal é representado pelo concentrado e o restante pela forragem, ele explica. “A estratégia proporciona melhor acabamento de carcaça em terminação no pasto, acelerando a taxa de ganho com índices produtivos muito próximos ou equivalentes aos do confinamento fechado, permitindo elevar a taxa de lotação para até 10 cabeças por hectare“, ele orienta. Para conferir segurança digestiva nessa estratégia o concentrado deve ser adequadamente ajustado em energia, proteína, minerais, vitaminas e aditivos.

O uso de alguns alimentos que proporciona uma adequação de energia e proteína na dieta, com segurança, é recomendado. Com esse objetivo, uma das matérias primas recomendada por André é o uso do DDGs (Grãos Secos de Destilaria com solúveis) — resíduo proteico e de alta energia oriundo da fermentação do milho para produção de etanol, que tem se mostrado altamente competitivo, muitas vezes com custo inferior ao do próprio milho em algumas regiões. O especialista salienta que, com a escolha correta de alimentos energéticos e proteicos, o uso de núcleos que forneça minerais, vitaminas e aditivos na quantidade correta é crucial para o sucesso da estratégia.  “Neste sentido, podemos também recomendar linhas como o núcleo Bellpeso Express (núcleo lançado para estratégia do confinamento expresso para mistura com uma fonte energética) e Bellpeso HP DDG desenvolvido para rações com a inclusão de DDG. Essas alternativas visam estabilizar consumo ao contornar variações na ingestão de fibra com maior estabilidade ruminal, garantindo alta eficiência alimentar”. Ele adverte, entretanto, que a aplicação bem-sucedida dessas tecnologias exige um planejamento forrageiro rigoroso, alinhando a massa de forragem, taxa de lotação da fazenda e as estratégias de suplementações necessárias para cada fase do rebanho.

Por fim, o especialista salienta que estas estratégias mais intensivas apresentam maior viabilidade econômica em regiões com agricultura estabelecida que garante insumos a preços mais acessíveis como no Sul, Sudeste e Centro-Oeste ou regiões de expansão agrícola como Norte e Nordeste (Rondônia, Pará, Matopiba). Já em praças onde o custo dos grãos é mais elevado, a recomendação é ajustar os níveis de suplementação para manter a eficiência econômica da operação. André Alves de Oliveira é Zootecnista pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Mestre em Ciência Animal pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) com foco em nutrição de bovinos em pastejo e Doutor em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) com foco em sistemas de produção intensivos.  Atua como Gerente Técnico nacional com vasta experiência em sistemas de produção integrados (pastagem, adubação, suplementação, integração lavoura e pecuária e confinamento).

Foto: Divulgação

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