domingo, junho 7, 2026

Maçãs desenvolvidas em SC são premiadas na Itália

As maçã Luiza, Venice e Isadora, desenvolvidas pela Epagri e produzidas e comercializadas na Itália sob a marca Sambóa®, foram premiadas como a Melhor Maçã do Ano na edição 2025 da Protagonisti della Ortofrutta Italiana, promovida pela Revista Corriere Ortofrutticolo. “Esta honraria comprova o alto padrão de qualidade e o sabor excepcional das maçãs”, atesta Marcus Vinicius Kvitschal, pesquisador e melhorista genético de macieiras da Estação Experimental da Epagri em Caçador. 

A história do melhoramento genético de macieiras na Epagri teve início há mais de 53 anos. Ao longo desse período, a Empresa desenvolveu e disponibilizou para o mercado mais de 20 cultivares. Há pelo menos 25 anos a Epagri tem firmado parcerias nacionais e internacionais com intuito de aumentar as chances de expansão comercial de muitas dessas variedades melhoradas. 

A empresa francesa IFO é uma destas importantes parceiras. Há mais de duas décadas ela vem testando diversos genótipos de macieira da Epagri em solo europeu. Para aqueles genótipos que se destacam, a IFO prospecta parceiros comerciais interessados em investir em novos negócios no setor mundial de frutas. 

Impressões positivas em italianos

Em função dessa parceria com a IFO, a Epagri recebeu aqui no Brasil, em 2019, uma visita de representantes do grupo fruticultor italiano Rivoira. O grupo já havia demonstrado interesse em fazer investimentos maciços nas variedades de macieira Luiza, Venice e Isadora, devido às impressões positivas que tiveram das frutas em visitas prévias à IFO, na França.

Menos de um ano após essa visita, o grupo Rivoira adquiriu os direitos de uso exclusivo das três variedades fora do território brasileiro. Começou aí o projeto Brazilian Variety, que envolve o desenvolvimento comercial das variedades brasileiras sob a marca Sambóa®. O plano global envolve ações estratégicas, tanto no âmbito produtivo quanto comercial, com amplo investimento para popularização mundial da marca.

“A marca Sambóa® prioriza a colheita das frutas maduras na planta, para que o consumidor possa adquirir maçãs super-doces, super-crocantes e super-suculentas ao longo dos 12 meses no ano”, relata Kvitschal. Ele conta ainda que  a marca tem se tornado uma grande sensação nas feiras e eventos de frutas na Europa e no mundo pelo alto padrão de qualidade sensorial das maçãs. 

O grupo Rivoira conta com mais de 200 hectares na Itália cultivados com as macieiras da Epagri. A meta é contar com 4 mil hectares de pomares das três variedades, distribuídos nos cinco continentes. Assim, poderá fornecer maçãs Sambóa® para consumidores em todo o mundo.

Sucesso no exterior 

O pesquisador da Epagri destaca que o sucesso das três variedades de macieira da Epagri no exterior segue na contramão da falta de interesse por elas nos pomares nacionais. Segundo ele, o mercado de maçãs no Brasil ainda é quase todo baseado nas variedades Gala e Fuji. 

“Por questões comerciais, há uma grande dificuldade de consolidação das novas variedades híbridas de macieira da Epagri no país, apesar de diversas delas possuírem várias vantagens agronômicas, além de alta qualidade sensorial”, argumenta. Ele lembra ainda que, embora sejam de grande valor comercial, a Gala e a Fuji enfrentam diversos problemas de falta de adaptação e alta suscetibilidade a muitas das principais doenças da macieira no Brasil, especialmente a Gala. 

Por outro lado, vários estudos conduzidos na Epagri evidenciam as vantagens das variedades Luiza, Venice e Isadora. O pesquisador destaca a capacidade de adaptação climática local, resistência às principais doenças, precocidade em iniciar a produção, qualidade visual e sensorial dos frutos, e ainda a alta capacidade de conservação. 

“Fica evidente que no Brasil devemos tomar como exemplo os empresários italianos que, mesmo diante da existência de dezenas de marcas de altíssima qualidade disputando cada fração do mercado de maçãs, estão conscientes de que a produção e o mercado desta fruta precisam ser diversificados e, por isso, buscam novas tecnologias e fazem grandes investimentos no setor para consolidá-las comercialmente”, considera Kvitschal. (Secom SC)

Fotos: Sambóa

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