quinta-feira, março 5, 2026

Deriva de defensivos agrícolas é tema de debate no Paraná

A preocupação com a qualidade da uva e do bicho-da-seda, culturas com forte representatividade no Paraná, pautou a reunião técnica promovida na última semana em Maringá. O encontro foi na sede regional do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PR) e reuniu representantes da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), empresas que atuam nos segmentos de defensivos e pesquisadores.

O foco foi a mitigação dos efeitos da deriva de agrotóxicos nessas culturas sensíveis. A deriva ocorre quando o defensivo aplicado em uma lavoura é transportado pelo vento ou por condições climáticas adversas para áreas vizinhas não alvo. Essa movimentação pode causar prejuízos em culturas como uva e amoreiras, impactar o solo e afetar a qualidade ambiental.

Durante o evento, o diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Young Blood, destacou os avanços obtidos pela agência nos últimos anos no enfrentamento à deriva de agrotóxicos e à aplicação inadequada de defensivos agrícolas. Ele reforçou que a Adapar vem investindo em ações estruturadas de fiscalização e orientação dos produtores.

“Nos últimos cinco anos, capacitamos nossos fiscais e investimos nas melhorias nos pulverizadores em Marialva. Conseguimos reverter a situação, e hoje mais de 90% dos maquinários estão com a qualidade adequada para aplicar os defensivos agrícolas”, disse.

Como parte desse esforço, a Adapar realizou em 2023 uma grande operação de fiscalização de pulverizadores na região Noroeste, com foco no município de Marialva — maior produtor de uva do Estado, conforme o Valor Bruto da Produção (VBP) de 2023. A cidade registrou mais de 10 mil toneladas colhidas, com VBP de R$ 70,4 milhões. A Operação Agro+ inspecionou 260 equipamentos, e os fiscais da Adapar também orientaram os produtores rurais sobre a correção das irregularidades encontradas.

SERICICULTURA – Outra cultura sensível aos efeitos da deriva é o bicho-da-seda. Na sericicultura, o uso inadequado de inseticidas pode contaminar as amoreiras — principal alimento das lagartas — e comprometer a produção de casulos, gerando perdas econômicas aos produtores.

O Paraná é o maior produtor de casulos do país. Em 2023, o Estado produziu 1,4 mil toneladas, o que representa 86% da produção nacional, com um VBP de R$ 39,2 milhões. Nova Esperança, no Noroeste, é o município líder na atividade, com 138,8 toneladas produzidas em 277 hectares.

A situação da sericicultura foi também um dos pontos destacados no encontro, e a Adapar reforçou a inclusão dessa cadeia produtiva como prioridade na pauta de combate à deriva, com o objetivo de ampliar as ações de prevenção e orientação em regiões de maior sensibilidade.

O encontro também abordou aspectos técnicos e contribuições da pesquisa. As empresas participantes acompanharam apresentações da defesa agropecuária sobre o uso e aplicação adequada destes defensivos, e sobre os cadastros de pomares de uva na Adapar. As empresas tiveram também um espaço para contribuir com alternativas para vencer este desafio. 

OUTRAS AÇÕES – A reunião é um desdobramento de iniciativas em andamento no Estado. Em maio, o Paraná iniciou o mapeamento de pomares de uva como medida preventiva. O objetivo é identificar a localização e as características dessas áreas para melhor planejar ações educativas e de controle da deriva de agrotóxicos. (com AEN)

Foto: Mapa

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