sexta-feira, março 6, 2026

Agro tem papel estratégico na retomada da economia brasileira

A previsão é que a economia brasileira se acelere no ano que vem, com queda da inflação

O agro tem papel estratégico na retomada da economia brasileira. “Temos vantagens ambientais, climáticas e tecnológicas para produzir mais e melhor. O agro passou por dificuldades nos últimos anos, mas há uma virada no horizonte, com mais produção e maior demanda vinda da China e da Europa”, analisou o economista Ricardo Amorim, presidente da Ricam Consultoria, durante o Congresso Andav 2025, uma realização da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), que se encerrou nesta quinta-feira, dia 7 de agosto.

Para Amorim, o agronegócio está próximo de um novo ciclo positivo, impulsionado por demanda externa e avanços na produtividade. “A agroeconomia não é apenas um pilar do presente, mas o motor do futuro brasileiro”, enfatizou.

A previsão é que a economia brasileira se acelere no ano que vem, com queda da inflação, apesar dos efeitos negativos imediatos decorrentes do tarifaço do Trump. A economia em geral segue ciclos de 5 a 7 anos, e utilizando indicadores históricos de crescimento do PIB, desemprego, população ocupada, ele analisou que o Brasil está em um ciclo ascendente, com a economia nacional, pelo quinto ano consecutivo, crescendo mais do que os economistas preveem.

Além disso, o preço de commodities e os ganhos de produtividade no agro neste século, colocam o Brasil em posição de destaque no cenário internacional. “O desempenho da economia brasileira é regido por ciclos, com altos e baixos. E estamos, agora, num ciclo de alta. Nos últimos quatro anos, nunca se criou tanto emprego no Brasil, e isso se deve aos investimentos feitos durante esse período”, avaliou.

Ele abordou também os reflexos das políticas comerciais dos Estados Unidos, afirmando que a taxação sobre produtos estrangeiros terá efeito negativo para os próprios americanos. “O produto importado vai ficar mais caro para o americano e a taxa de juros americana vai subir”, disse o economista, que acrescentou que os impactos do tarifaço devem ser sentidos de forma regionalizada, inclusive no Brasil.

Amorim, por fim, definiu o Brasil como o país mais propício a receber investimentos externos, pois desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, as tensões mundiais foram intensificadas e dentre os países com características atrativas, o único em desenvolvimento com grande mercado consumidor é o Brasil.

Crédito na distribuição

Soluções financeiras e estratégias para ampliar o acesso ao crédito no agro foi o assunto no Congresso Andav 2025. O consultor André Pessoa elencou três pontos principais característicos do momento atual: elevado grau a alavancagem do produtor rural, taxa de juros asfixiante e incompatível com o retorno normal dos negócios, e margens do segmento primário (produtor rural) em patamares muito baixos, principalmente em grãos, mesmo a safra 2024-2025 tendo sido melhor do que o programado. “O cenário exige que o produtor se dedique à gestão financeira de seu negócio, da mesma forma que os distribuidores e os demais atores já fazem”, disse.

Filipe Paiva, sócio-fundador da Unibarter (Grupo Uniagro) agregou insegurança jurídica, recuperações judiciais, guerras e outros eventos que ampliam a incerteza dos investidores.  Lembrou, ainda, que a entrada do agro no mercado de capitais começou pelas indústrias, que incentivaram os distribuidores. Alertou, também, que a captação no mercado de capitais exige gestão de risco, conhecimento sobre a forma como o produtor comercializa, governança, uso de ferramentas, liquidez, tecnologia, aperfeiçoamento dos processos, valorizar e escutar os profissionais de crédito.

Do mesmo modo, Moacir Teixeira, sócio-fundador da Ecoagro, frisou que o casamento do mundo do agro com o mercado de capitais tem potencial de crescimento. Para ele, a capitalização deve ser feita via distribuidor de insumos, pois é o melhor canal de comunicação para o pequeno produtor rural e recomenda: “Tudo depende de gestão, pois os prazos do mercado de capitais são mais longos do que os de custeio, exigindo planejamento”, comentou.

Levar gestão ao produtor rural também é uma necessidade alinhada por Carlos Aguiar Neto, diretor de Agronegócios do Banco Santander. “Em um cenário de juros altos, novo IOF e alavancagem elevada, os problemas não são resolvidos com prazos mais longos. O prazo que é dado é para que possa ser planejada a desalavancagem. Por isso, quem está alavancado, precisa se organizar para resolver esse problema”, ponderou.

Governança sustentável: o alicerce do futuro das organizações

Durante o Congresso Andav 2025, Celso Ienaga, sócio da Dextron Consulting, reforçou a urgência da governança sustentável como eixo central para o futuro das organizações. “Quem não cuida da governança hoje, terceiriza seu futuro”, afirmou.

Para Ienaga, a governança não é apenas um conjunto de regras ou estruturas de controle, mas um compromisso contínuo com responsabilidade, transparência e visão de longo prazo. “Falta de planejamento e governança, crescimento desenfreado sem estratégia, estrutura de capital inadequada podem levar a quebra da empresa”, analisou.

As empresas que remodelaram seus processos com base em decisões estruturadas, dados, princípios ESG (ambiental, social e governança), melhoraram seus resultados e ganharam relevância diante de investidores e da sociedade. “A governança sustentável não é apenas uma estrutura organizacional, mas uma jornada de transformação que conecta propósito, longevidade e geração de valor, fortalecendo toda a cadeia do agronegócio”, finalizou Ienaga.

O Congresso Andav 2025 foi realizado de 5 a 7 de agosto, no Transamerica Expo Center, em São Paulo, reunindo mais de 250 marcas nacionais e internacionais e mais de 17,5 mil profissionais. (Divulgação)

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