O planeta pode enfrentar ainda este ano um El Niño forte ou até mesmo um super El Niño, capaz de rivalizar com alguns dos eventos mais intensos já registrados. As informações foram publicadas pelo jornal americano The Washington Post, com base em novos dados climáticos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).
O fenômeno ocorre quando as águas do Oceano Pacífico equatorial aquecem acima do normal, alterando os padrões climáticos em várias regiões do mundo. Em eventos mais intensos, a temperatura da superfície do mar pode ultrapassar 2 °C acima da média, provocando uma forte resposta da atmosfera.
Os chamados super El Niños são relativamente raros e acontecem, em média, a cada 10 a 15 anos. Quando se formam, podem intensificar eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas prolongadas, chuvas intensas e mudanças na formação de ciclones tropicais.
Segundo especialistas citados pela reportagem, o fenômeno também pode influenciar a temporada de furacões no Atlântico, já que ventos mais fortes na atmosfera dificultam o desenvolvimento das tempestades.
Impactos possíveis no Brasil
No Brasil, os efeitos do El Niño costumam variar conforme a região. Historicamente, o fenômeno tende a provocar chuvas acima da média no Sul do país, aumentando o risco de enchentes e temporais. Já no Norte e Nordeste, o padrão costuma ser de períodos mais secos e temperaturas elevadas, o que pode afetar reservatórios e a produção agrícola.
No Centro-Oeste e parte do Sudeste, também podem ocorrer ondas de calor mais intensas e períodos de estiagem, favorecendo incêndios florestais e impactos no abastecimento de água.
Além disso, eventos fortes de El Niño frequentemente contribuem para recordes de temperatura global, pois o calor armazenado no oceano é liberado para a atmosfera e redistribuído pelo planeta.
Apesar dos sinais apontarem para um evento significativo, cientistas alertam que ainda há incertezas nas previsões. Pesquisadores da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) destacam que diferentes modelos climáticos indicam cenários que variam de um La Niña fraco até um El Niño forte.
Mesmo assim, o monitoramento antecipado do fenômeno é considerado essencial para que governos e setores econômicos possam avaliar riscos e se preparar para possíveis eventos climáticos extremos, inclusive no Brasil.
Foto: Cleber França




