quarta-feira, julho 22, 2026

Agro cresce, mas falta liderança: o risco silencioso dentro das empresas

Escassez de sucessores preparados começa a travar decisões e expor fragilidades na gestão de empresas do setor

O agronegócio brasileiro segue em expansão e se consolida como um dos principais motores da economia nacional. Mas, dentro das empresas, um desafio menos visível começa a ganhar relevância: a dificuldade de formar líderes na velocidade que o próprio crescimento exige.

O setor responde por cerca de um quarto do PIB do país, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ao mesmo tempo, o avanço das operações e o aumento da complexidade na gestão têm elevado o nível de exigência sobre executivos, nem sempre acompanhados pela formação adequada.

Nos bastidores, o problema aparece de forma recorrente: promoções feitas antes da hora, profissionais que ainda não sustentam a posição e decisões estratégicas que acabam concentradas em poucas pessoas.

“É um risco que não aparece no balanço, mas impacta diretamente o resultado. Muitas empresas crescem mais rápido do que conseguem desenvolver suas lideranças”, afirma Jorge Ruivo, Consultor e CEO da Wiabiliza.

Esse descompasso não é exclusivo do agro. Estudos indicam que a maioria das empresas enfrenta lacunas relevantes de habilidades, especialmente em níveis de liderança, um fator que compromete a capacidade de execução e tomada de decisão.

Decisão travada e dependência de poucos

Na prática, a falta de lideranças prontas cria um efeito em cadeia. Executivos mais seniores passam a concentrar decisões críticas, enquanto níveis intermediários ainda não têm repertório suficiente para assumir maior protagonismo.

O resultado é conhecido: decisões mais lentas, maior risco de erro e dificuldade para sustentar o crescimento de forma consistente.

“Quando não há sucessores preparados, a empresa fica refém de poucas pessoas. Isso limita o crescimento e aumenta a exposição ao risco”, explica o especialista da Wiabiliza.

Mentoring como resposta prática

Diante desse cenário, algumas empresas do setor têm buscado caminhos mais diretos para acelerar a formação de lideranças. Entre eles, o mentoring executivo vem ganhando espaço por sua abordagem prática.

Diferente de programas tradicionais de treinamento, o modelo se baseia na troca direta entre executivos mais experientes e líderes em desenvolvimento, com foco em situações reais do negócio.

“O ganho está na aplicação imediata. O executivo discute decisões reais, antecipa erros e amadurece mais rápido”, afirma.

Um desafio que tende a crescer

Com a escassez de profissionais qualificados se intensificando, a formação de lideranças deve se consolidar como um dos principais temas estratégicos para o agronegócio nos próximos anos.

Para especialistas, a diferença estará na forma como cada empresa estrutura esse processo. “Desenvolver líderes deixou de ser uma agenda de longo prazo. Hoje, é uma necessidade imediata para sustentar o crescimento”, conclui.

Foto: divulgação

Receba as informações do site diáriamente.

Mais do Canal do Agro

Pesquisa avalia leite de jumenta como alternativa para reduzir uso de antibióticos

Estudos são conduzidos pela Universidade Federal Rural de Pernambuco O avanço...

Começa a vigorar tarifaço dos EUA ao Brasil

Começou a vigorar nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional...

Jornal inglês cobra governo brasileiro sobre transposição do Rio São Francisco

Uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian voltou...

Exportações de café caem, mas receita se mantém

As exportações brasileiras de café registraram retração na temporada...

Milho: colheita avança para 29% no PR

Neste início de safra as produtividades estão variando bastante...

Trigo: lavouras estão em ótimas condições no Paraná

Ouça os dados que acabaram de ser lançados pela...

Etanol recua com demanda fraca; açúcar segue volátil

Os preços do etanol voltaram a cair no mercado...