quinta-feira, outubro 22, 2026

Preço do suíno vivo atinge menor nível em quase 20 anos

O mercado brasileiro de suínos encerrou junho com mais um recuo nas cotações do animal vivo, consolidando o sexto mês consecutivo de desvalorização. Na região conhecida como SP-5, que engloba Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, o preço médio do suíno vivo atingiu o menor patamar em quase duas décadas, refletindo um cenário de oferta elevada e consumo doméstico sem crescimento suficiente para equilibrar o mercado.

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que a média de junho ficou em R$ 5,25 por quilo, valor 2,9% inferior ao registrado em maio. Na comparação com junho de 2025, a retração chega a expressivos 41,2%, considerando os preços corrigidos pela inflação medida pelo IGP-DI de maio de 2026.

Menor cotação desde 2006

Segundo o Cepea, o valor médio registrado em junho é o mais baixo, em termos reais, desde julho de 2006. Naquele período, o suíno vivo era negociado a R$ 5,14 por quilo na mesma região paulista.

O resultado reforça a tendência de queda observada desde o início de 2026, período em que o mercado passou a conviver com uma oferta crescente de animais e uma demanda incapaz de acompanhar esse ritmo.

Expansão do plantel amplia oferta

Pesquisadores do Cepea apontam que um dos principais fatores por trás da desvalorização é o crescimento contínuo do plantel de matrizes. Segundo agentes consultados pelo Centro de Pesquisas, a expansão vem ocorrendo há aproximadamente quatro anos, aumentando gradativamente a produção de leitões e, consequentemente, a disponibilidade de animais para abate.

Esse avanço produtivo elevou a oferta de carne suína no mercado interno, intensificando a concorrência entre produtores e pressionando as cotações.

Consumo e exportações não acompanham produção

Enquanto a produção cresce, a demanda doméstica não tem apresentado evolução na mesma proporção. O consumo interno permanece estável, limitando a capacidade do mercado de absorver o aumento da oferta.

As exportações, tradicionalmente importantes para equilibrar o setor, também não têm sido suficientes para retirar do mercado o excedente de produção. De acordo com o Cepea, esse desequilíbrio entre oferta e demanda continua sendo o principal fator responsável pela trajetória de queda dos preços.

Setor acompanha perspectivas para o segundo semestre

O comportamento do mercado nos próximos meses dependerá da evolução do consumo interno, do desempenho das exportações e do ritmo de produção nas granjas.

Caso a demanda permaneça enfraquecida e a oferta continue elevada, o setor poderá enfrentar novas pressões sobre as cotações. Por outro lado, um avanço das vendas externas ou uma recuperação do consumo doméstico pode contribuir para reduzir o excedente de animais e favorecer maior equilíbrio no mercado.

Enquanto isso, produtores seguem atentos às margens de rentabilidade, que permanecem pressionadas diante da sequência de quedas nos preços do suíno vivo.

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