A oferta de mandioca segue restrita no mercado brasileiro, cenário que continua sustentando a valorização da raiz e reduzindo a disponibilidade de derivados, como fécula e farinha. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que a menor oferta de matéria-prima tem limitado o processamento industrial nas últimas semanas.
No Paraná, um dos principais estados produtores do país, a tonelada da mandioca foi negociada ao preço médio de R$ 503,69, refletindo o cenário de menor disponibilidade da matéria-prima e a firmeza das cotações.
Segundo pesquisadores do Cepea, parte dos produtores concentra esforços no plantio da nova safra, enquanto outros optam por adiar a comercialização das raízes mais jovens, seja pela baixa rentabilidade da venda neste momento ou pela indisponibilidade de áreas que passaram por poda recentemente. Além disso, chuvas registradas de forma pontual nos últimos dias também dificultaram o avanço das operações no campo.
Outro fator que preocupa o setor é a redução no teor de amido das raízes. De acordo com o Cepea, essa queda tem sido mais acentuada nos últimos dias, comprometendo o rendimento industrial e diminuindo a produção potencial de derivados. O comportamento pode estar relacionado ao estágio de desenvolvimento das lavouras, às variedades cultivadas e às condições climáticas observadas nas regiões produtoras.
As perspectivas para as próximas semanas indicam que a maior parte dos produtores deve concluir o plantio até meados de agosto. A partir da segunda quinzena do mês, com a expectativa de redução das chuvas, o ritmo de colheita e entrega de mandioca às indústrias poderá ganhar força.
Enquanto esse cenário não se concretiza, a combinação entre oferta restrita de raízes e menor rendimento industrial tende a manter limitada a disponibilidade de derivados no mercado, sustentando os preços ao longo das próximas semanas.
Foto: Cleber França




