A Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) lançaram na última semana, em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, um projeto de pesquisa que prevê a produção de embriões da raça Purunã em laboratório. O estudo representa uma nova fase no melhoramento genético da raça desenvolvida no Estado, com o objetivo de multiplicar animais de alto valor genético e ampliar a oferta de reprodutores para os pecuaristas.
A pesquisa, que tem duração prevista de quatro anos, será desenvolvida pela UENP em parceria com o IDR e a Universidade Federal do Paraná (UFPR). A iniciativa receberá o financiamento de R$ 4,45 milhões do Fundo Paraná, uma dotação constitucional de fomento científico e tecnológico. O projeto prevê a implantação de dois laboratórios de produção in vitro de embriões, uma técnica de reprodução assistida focada no melhoramento genético acelerado do rebanho, que permitirá a produção de 4.500 embriões ao longo de três anos.
Para o professor da UENP Bruno Galindo, o projeto representa um avanço na aplicação da ciência genômica à pecuária paranaense. “A reprodução assistida combinada com a seleção genômica permite um salto qualitativo no melhoramento animal, com redução do intervalo de gerações e maior precisão na escolha de animais superiores. Essa é uma aplicação concreta do conhecimento científico para gerar impacto direto no setor produtivo, com ganhos de produtividade e sustentabilidade para a cadeia da carne bovina”, afirma o pesquisador. “A produção in vitro de embriões é estratégica para acelerar a formação, a multiplicação e a disseminação da genética superior da raça Purunã, uma vez que permite a passagem de um modelo tradicional de melhoramento, baseado principalmente na seleção e reprodução convencional, para um modelo de melhoramento de precisão e multiplicação acelerada”, reforça o zootecnista do IDR-Paraná, José Luis Moletta.
Os laboratórios ficarão nos campi da UENP de Bandeirantes, no Norte do Estado, e da UFPR de Palotina, na região Oeste. Por meio da seleção genômica dos melhores animais do rebanho Purunã, serão escolhidos touros e matrizes que se destacam em características produtivas e de resistência a carrapatos para a produção de embriões de alto valor genético. Esse material genético seguirá para propriedades parceiras, que fornecerão dados dos animais nascidos para aprimorar as avaliações genéticas.
O projeto também conta com parcerias internacionais das universidades de Guelph, no Canadá, e da Geórgia, nos Estados Unidos, que colaborarão com o desenvolvimento de pesquisas em genética e melhoramento animal. A expectativa é beneficiar criadores da raça, cooperativas e produtores de leite interessados em diversificar a renda com bezerros de alto valor agregado, ampliando a oferta de reprodutores de alto valor genético para o rebanho paranaense e outros estados brasileiros.
RAÇA PARANAENSE – O gado Purunã reúne características de quatro raças bovinas de corte: Canchim, Charolês, Aberdeen Angus e Caracu; e se destaca pela adaptabilidade a diferentes climas, resistência a parasitas e qualidade da carne. Desenvolvido pelo IDR ao longo de mais de três décadas, o animal é resultado de estudos científicos conduzidos por pesquisadores de instituições públicas de ensino e pesquisa do Estado. O melhoramento genético da raça tem potencial para agregar valor e qualidade à cadeia produtiva da carne bovina no Brasil.




